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Adeus meu velho amigo que nunca fui apresentado

25 Comentarios »Postado por GordoGeek em 06/10/2011 às 01:38h

     Na noite de ontem levamos um baita soco no estômago ao saber da morte de Steve Jobs. Ele não estava bem há meses, fato que ficou ainda mais evidente quando deixou o cargo de CEO da Apple recentemente, mas apesar de tudo indicar que isso poderia acontecer, fomos pegos de surpresa.

     Eu tinha acabado de colocar meu filho pra dormir e estava me preparando pra jantar quando recebi um reply no Twitter perguntando se era verdade que Steve Jobs havia morrido. Como vários veículos “já vinham matando” o homem há anos, chegando ao ponto dele próprio fazer brincadeira com esse tipo de notícia em um dos keynotes, achei que fosse outro obituário publicado por engano pelo estagiário. Ia até fazer uma brincadeira, dizendo que, se morreu, foi por puro tédio pelo anúncio do iPhone de ontem. Por sorte, fui checar a história antes de fazer tal brincadeira e infelizmente, me deparei com a realidade: era verdade.

     Apesar de ser evidente a fragilidade da saúde de Steve Jobs, sempre aparecendo cada vez mais magro e debilitado, já faz tanto tempo que vemos isso acontecendo, que já parecia normal. O fato dele ter finalmente abandonado o cargo de CEO da empresa que era a sua grande paixão, já dava fortes indícios que o pior estava por vir. Mas nós, fãs incondicionais, nos enganávamos e dizíamos que ele só se afastou para cuidar da saúde, mas que logo voltaria. Afinal, ele ainda iria ficar no conselho da Apple e sempre dando palpites. Mas não foi isso que aconteceu.

     Eu mencionei no Twitter que não iria fazer um post a respeito. Horas se passaram, as emoções foram mudando e me senti na obrigação de expressar meus sentimentos por aquele que me deu tanta coisa. Muita gente (especialmente quem não é muito ligado a tecnologia) está pensando nesse momento: “poxa, esse povo tá exagerando hein”. Bom, imagine tudo aquilo que você adora e deseja, como o sorvete, a pizza, seu video-game, sua banda favorita, aquela série que você acompanha por anos e tantas outras coisas. Agora imagine que tudo isso foi criado pela mesma pessoa. Esse era Steve Jobs. Não, ele não criou a pizza. Steve criou várias outras coisas que usamos e que mudaram completamente nossa forma de lidar com o mundo. Ele revolucionou a indústria dos computadores, da música, do cinema, da telefonia e quem sabe que outras coisas ele não teria feito senão tivesse partido tão jovem.

     Apesar de uma tristeza profunda, eu não chorei (como sei que muitos amigos fizeram). No entanto, quando eu ouvi o anúncio no Jornal Nacional, deu aquele nó na garganta e foi por pouco. Na ânsia de sufocar os sentimentos que estavam surgindo, apelei pra um golpe baixo e pensei: “pô, o cara é um escroto, não reconheceu sua filha (Lisa) durante anos por pura birra”. Mais tarde, refletindo sobre isso, cheguei a outra conclusão: eu não sou perfeito. Ele não era perfeito. Pessoas não são perfeitas, coisas não perfeitas, a vida não é perfeita. Mas isso não quer dizer que elas não possam ser extraordinárias. Seu Mac vai travar, seu iPhone não vai ter tudo que você quer, seu iPad não vai ter Retina Display tão cedo, mas isso é realmente relevante a ponto de tirar o brilho das coisas? Nem um pouco!

     Em abril de 2010 eu passei por uma das experiências mais incríveis da minha vida quando varei uma madrugada numa fila em Nova Iorque pra ser um dos primeiros a comprar o iPad. Podia ter ficado no hotel, quentinho, numa boa e ir pra loja no dia seguinte, mas agradeço ao amigo MacMasi por ter me convencido a encarar a fila com ele. Depois de muito sofrimento, com frio, cãimbras, vontade de ir ao banheiro e várias outras coisas desagradáveis, o momento mágico estava começando.

     Como se estivéssemos na vila dos Smurfs, dezenas de funcionários da Apple vestidos de azul apareceram e nos convidaram a entrar na loja. Mais que isso: fomos ovacionados como ídolos de rock. Televisões do mundo todo estavam ali para aquela cobertura. Era uma cena absolutamente insana. Desci as escadas de vidro da loja da quinta avenida em estado de êxtase e soltei o “famoso” grito que até hoje muitos brincam comigo: “CHUUUUUUPA Microsoft”.

     Na volta pro hotel, quando eu finalmente achei que ia cair exausto na cama, vários funcionários vieram falar comigo: “eu te vi na TV!”. Todos queriam ver e entender o iPad. Muita gente dizia que ele era apenas um iPhone grande e que era caro demais. Quando eu voltava para o Brasil e passei pelo rigoroso controle do aeroporto, houve um momento engraçado quando os agentes da TSA pararam e perguntaram: “isso dentro da sua bolsa é o tal iPad?”. Todo aquele clima de “será que esse cara tem uma bomba?” veio abaixo e todos ali riram.

     Steve Jobs não era um santo, não era a única mente brilhante por trás da Apple e nem era perfeito. Sua obsessão por fazer sempre tudo o melhor possível certamente gerou muitas úlceras em seus funcionários. O que não faltam são histórias de funcionários indo a loucura pra não serem “Stevados”. Porém, o que esse cara fez pela indústria da tecnologia, mudando completamente a forma com que interagimos com ela e com o mundo, é digno do nosso mais profundo respeito e admiração. Seu carisma, sua genialidade e sobretudo, seu campo de distorção da realidade, farão muita falta.

     Ao meu velho amigo, que eu nunca fui apresentado ou tive a chance de apertar a mão ou tomar um frozen yougurt, meu muito obrigado por tudo. Você está em nossas salas (com o Apple TV), em nossas mesas (com os iMacs, Mac mini e MacBook), em nossas mãos (com os iPods, iPhones e iPads), mas acima de tudo, está e estará sempre em nossos corações. Obrigado e um forte abraço.

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