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Aeroportos no Brasil: terra de ninguém

12 Comentarios »Postado por GordoGeek em 18/07/2012 às 15:30h

     Eu sei que alguns vão pensar “poxa, de novo esse alerta”, mas eu vou fazer em todos posts referentes a viagem pra evitar que nos comentários (como às vezes acontece) alguém venha me chamar de burro e dizer que o post foi uma porcaria, que não ajudou em nada, que eu quero me passar por sabichão e não sei nada, etc. Acreditem, por mais que eu faça os posts pra ajudar, ainda tenho que ler coisas desse tipo. Então, na tentativa de minimizar tais comentários, vou sempre colocá-los no início dos posts. Você, que já leu, pode começar sempre a ler do segundo parágrafo. Isso dito, lá vai: essa série de posts sobre a viagem que fiz são para compartilhar o pouco que sei e tais informações podem não ser as melhores alternativas pra você. Conto com os comentários dos leitores para me corrigirem e enriquecer o conteúdo.

     Ouço muito falar que “internet é terra de ninguém”, onde todo mundo faz o que quer e não existe controle ou punição. Bem, na internet, tudo é monitorado e fica registrado. Claro, não é simples de se conseguir dados de quem fez o que, mas eles existem. Mas tem lugares físicos que me dão a mesma impressão, como os aeroportos no Brasil. É como me disse um amigo, delegado da Polícia Federal: “todo mundo manda e ninguém manda”.

     No dia 17/07 eu embarquei no aeroporto de LaGuardia, fazendo conexão em Atlanta e Rio de Janeiro, antes de finalmente pousar em São Paulo. Quando fui pegar as malas, me dei conta que elas haviam sido violadas. Como eu já estava há mais de um dia sem dormir, com fome, exausto e não querendo me estressar mais, “fingi que não vi” e fui para o estacionamento pegar o carro, pois ainda iria enfrentar mais quase 5Hs até chegar em casa, no interior do estado.

     Depois de matar a saudade da família, tomar um banho e dar uma descansada, fui abrir a mala e notei que em uma delas, o cadeado simplesmente sumiu, enquanto na outra, o cadeado estava completamente destruído na parte externa, mas ele ainda estava preso. Quando eu finalmente consegui abrir as malas, notei que haviam “sumido” alguns cremes, perfumes e roupas. Eletrônicos? Já sabendo como as coisas funcionam nos aeroportos, eu não coloquei nada disso na mala, trazendo na bagagem de mão.

     A noitinha, vendo o jornal regional da Globo (EPTV), estava passando uma reportagem justamente sobre os problemas com malas em aeroportos, tanto com extravio, como com malas violadas. As companhias aéreas sempre tiram o delas da reta e dizem “isso o seguro não cobre”. E quando a mala “some”, o que eles fazem é pagar um valor ridiculamente baixo com base no peso da bagagem. Claro, se você estiver disposto a enfrentar anos na justiça, “perdendo” tempo e dinheiro, talvez até consiga algo, mas é bem complicado.

     Por mais que seja triste dizer isso, o sentimento que a gente fica quando volta de uma viagem internacional é “nosso país é uma merda”. Eu falei isso no Twitter e fui além, disse que não tenho a mínima esperança de ver melhoras. Eu sei que estou errado em não ir atrás dos meus direitos, reclamar e ir até as últimas consequências, mas o tempo e grana investidos nisso, não valem a pena. E como eu, milhares de pessoas fazem a mesma coisa, o que incentiva ainda mais com que a prática continue. O máximo que fiz foi uma reclamação na Delta e no site ReclameAqui.

     Uma dica que me deram foi usar cadeados certificados pela TSA, a agência que inspeciona a segurança dos aeroportos americanos. Esses cadeados podem ser abertos pela agência, que não precisa violar a bagagem em caso de vistoria. Detalhe: eles sempre deixam um aviso informando que a mala foi aberta e vistoriada. Se outra agência (ICE, FDA, ATF, etc.) for fiscalizar a sua bagagem, o procedimento padrão é eles chamarem um agente da TSA pra abrir a mala e acompanhar. No Brasil, eles simplesmente saem quebrando tudo e nem aviso deixam. Segundo meu amigo delegado, ninguém quer assumir a responsabilidade de ter mexido na mala, especialmente se algo sumir. Revoltante, pra dizer o mínimo.

     Outra dica é jamais colocar coisas de valor na mala, como eletrônicos, jóias, etc. Leve isso na sua bagagem de mão, sempre atentando para as dimensões e pesos máximos da sua companhia aérea. Eu sei que existem restrições para transporte de líquidos na bagagem de mão, ou seja, perfurmes, cremes e afins, devem ser despachados. Sei também que, em certos casos, algumas roupas são mais caras que eletrônicos e não tem como socar tudo na bagagem de mão. Ae, vão outras duas recomendações.

     Se a sua mala for do tipo convencional, com zíper, você já deve ter visto que nem é necessário quebrar o cadeado para que alguém pegue algo, correto? Existem dezenas de vídeos mostrando como se faz isso, usando coisas básicas, como uma caneta ou clipe de papel, sem deixar sinais aparentes de arrombamento. Me recomendaram usar aquele serviço disponível em praticamente todo aeroporto, onde eles passam camadas de papel filme plástico na mala. Já adianto: não é muito barato. Porém, pensando como o bandido, se você tem uma mala com aquilo, mais difícil de abrir e outra sem, qual você escolheria? Se você quer diminuir as chances, vale a pena investir.

     Me recomendaram também um tipo de mala sem zíper, como as da Samsonite. Por aqui, elas custam cerca de R$ 1.000,00. Lá fora, algo como USD 200. Claro que, querendo, o cara mal intencionado abre o que ele quiser. Mas como eu disse acima, se ele tem várias malas pra mexer, provavelmente ele vai optar pela mais fácil.

     Minha recomendação é, na ida, levar o mínimo de coisas possível e não despachar nada. Coloque umas poucos roupas na bagagem de mão e leve com você. Assim, já se evita a possibilidade de problemas em 50%, já que o primeiro trecho você não despacha nada. Chegando no destino, use o primeiro dia para comprar uma mala e os ítens que irá usar, como cuecas, meias e roupas em gerais. Minha recomendação é ir numa TJ Maxx ou Century 21, onde se encontra tudo isso muito barato. Para roupas, eu gosto bastante da Old Navy. Fuja de comprar malas e eletrônicos em locais mais badalados, como o centro da cidade e Time Square. Também evite fazer “economias porcas”, pois certamente vai se arrepender no final.

     Na minha inocência provinciana, eu achei que toda a área nos aeroportos onde as malas circulam eram monitoradas e os funcionários mal intencionados usavam os pontos cegos das câmeras para cometer os crimes. Segundo meu amigo delegado, o monitoramento é fraquíssimo, pra dizer o mínimo. Eu acho que deveria haver um controle mais rígido com sistema de câmeras, os inspetores deixando o seu número de funcional quando abrirem as malas, bem como algo que comparasse o peso da mala na hora que deixamos na companhia e quando essa devolve na esteira, já separando ae, as bagagens com diferença de peso, o que indicaria alguma adulteração. Evidente que iriam aparecer tijolos de tudo que é tipo dentro das malas, mas ae seriam usadas as imagens do CFTV pra saber quem violou. Por enquanto, tudo isso é sonho e não está nem perto de acontecer. O que você deve fazer é usar as dicas dadas aqui e se proteger, pois se depender do governo, da InfraAero, Receita ou Polícia Federal, tu tá enrolado.

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