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Apoio os direitos autorais, mas e o bom senso?

6 Comentarios »Postado por GordoGeek em 11/05/2011 às 13:38h

     Já tem um tempinho que quero escrever um texto sobre direitos autorais e algumas idaias que estão na minha mente. Acredito que muitos vão se identificar com elas, exceto, é claro, os poderosos das indústrias da música, cinema, etc. Vamos a elas…

     Ano passado, depois de ficar um bom tempo sem ter TV paga, resolvi voltar a assinar. Fiz uma ampla pesquisa, comparando as empresas que atendem a minha cidade (Sky, Telefonica e Embratel), vendo quais pacotes tinham os canais que eu queria, quantos pontos adicionais eu poderia ter, etc. Acabei optando pela Telefonica, não por ser a melhor em qualidade de imagem (está longe disso), mas por ela ter um pacote com os canais que eu mais vejo, com o menor custo e me permitir até 4 pontos adicionais, por R$ 20,00 cada.

     Eu acho um absurdo ter que pagar ponto adicional, mas depois de anos de briga na Anatel, a agência entendeu que a cobrança era legal, pelo menos, na forma de comodato do equipamento. O estranho é que, se eu tenho um equipamento compatível, mesmo assim, não posso usá-lo. Tenho que alugá-lo da operadora. Ou seja, maquiaram a cobrança do ponto adicional. Depois de meses pagando pelo ponto principal e 4 adicionais, constatei o óbvio: eu não vejo TV. Mandei desativar 3 pontos, ficando apenas com 2 (um no térreo e outro no 1. andar). Eu não fiz as contas, mas calculo que, se os aparelhos da Telefonica ficam ligado mais de 15 horas por mês, é muito.

     Atualmente eu também pago uma assinatura da Netflix (USD 7.99/ mês) pra ver filmes e da Hulu Plus (USD 7.99/ mês) pra ver seriados. O Netflix até tem alguns seriados, mas bem antigos. O forte deles são filmes (não muito novos), mas o acervo é grande. A variedade de seriados do Hulu Plus é bem maior, além da disponibilidade. Algumas horas depois de ir ao ar nos Estados Unidos, já está disponível pra streaming via computador, iPad, iPhone, Xbox, etc. Infelizmente, pra ter acesso a ambos, eu tenho que usar VPN e maquiar o meu IP, como se fosse americano. Além disso, nenhum dos serviços tem legenda em português. Aliás, é raro quando tem em inglês.

     Com relação a músicas, além de pagar o plano VIP da Grooveshark (USD 30 por ano), pago também o Zune Pass da Microsoft (USD 14.99/ mês). O problema é que a Apple acabou tirando o Grooveshark da App Store, forçando-as a ir para o Cydia, então só funciona em aparelhos com jailbreak. O Google demorou, mas também tomou atitude similar, banindo o aplicativo do loja do Android. Restou-me então fazer gambiarra ou ficar restrito a ouvir via browser (o que nem precisa de conta VIP). Já no caso do Zune Pass, tenho que me contentar em ouvir apenas no meu Zune/ Xbox ou no PC. Não existe cliente pra Mac ou uma forma de ouvir no iPhone/ iPod.

     Essa semana eu fiz um artigo aqui falando das revistas e jornais para iPad. Parece haver um consenso entre os usuários: quem já é assinante da versão impressa acha um tremendo absurdo ter que pagar novamente pra ter acesso a versão para o iPad. Até aceito pagar novamente, afinal a editora vai ter um trabalho adicional pra “converter” a revista pra outro padrão, mas tem que ter um bom desconto pra assinantes e um preço atrativo pra quem não é assinante, afinal os custos são bem menores.

     Pois bem, eu falei aqui todos os serviços que pago pra ter acesso a conteúdo e como os detentores dos direitos autorais querem nos impor limites cada vez mais absurdos. Na minha modesta visão, se eu tô pagando TV por assinatura, Netflix e Hulu, sendo que todos eles remuneram os criadores, a minha parte eu fiz. Por que eu não posso baixar esse conteúdo via torrent, no formato que eu quiser, com a legenda que eu quiser, pra ver quando e onde eu quiser?

     O mesmo pensamento vai pro lado das músicas. Se eu tô pagando o Zune Pass e a Microsoft remunera os criadores, por que eu não posso converter de WMA pra MP3 e me permitir ouvir no iPhone, iPod, no rádio do carro, etc.? Vai fazer diferença pro detentor do direito autoral o tipo de dispositivo ou o formato do arquivo que estou usando? Não, não vai. Ele vai receber igual. Então eu paguei pelo conteúdo em fita LP, depois em fita K7, depois em CD, em arquivo digital e ainda vão me obrigar a pagar mais uma vez?

     Recentemente a Amazon lançou uma solução de músicas na núvem. Essa semana, o Google também colocou em beta o seu projeto. Os rumores dão conta que até o final do ano a Apple tenha um serviço similar. Tanto Amazon quanto Google não se preocuparam em correr atrás de licenças adicionais para os serviços. Na visão deles (que é a mesma minha), se o usuário pagou pela música, ele pode ouvir onde quiser. Eles estão hospedando o arquivo de música como outro qualquer. Exigir do usuário uma nova licença pra armazenar essas músicas na núvem e poder ouví-las via streaming não faz o menor sentido e é por causa desse tipo de pensamento que muitos se recusam a pagar direitos autorais. Muitas vezes quem se recusa a pagar tem as coisas com mais facilidades do que quem pagou por elas. Faz sentido pra vocês?

     No caso das revistas, o mínimo que as editoras poderiam fazer é disponibilizar o conteúdo digital da revista como o da versão impressa. Não fica lá muito agradável de ler, mas quem quisesse, poderia ter esse direito, sem ter que ficar batendo foto ou digitalizando a revista. Quer ter uma experiência mais completa, adaptada ao tablet? Ae sim, cobre mais uma pequena taxa do seu assinante e dê a ele esse direito.

     Eu sou desenvolvedor de softwares e sei que temos que ter o direito de impor certas coisas a nossos clientes. Mas bom senso é fundamental. Deixar mais difícil pro cara que pagou, do que para o que pirateou, não faz e nunca fará sentido.

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