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Coisas que eu AMO (e ODEIO) no Android

18 Comentarios »Postado por GordoGeek em 29/06/2012 às 17:29h

     Ontem eu comecei a responder a algumas questões no Twitter e a “discussão” foi tomando uma proporção tão grande que tive que parar de tweetar antes que minha conta fosse temporariamente bloqueada por exceder o números de tweets por hora. Assim, achei melhor vir tratar desse assunto aqui no blog, até para servir de referências futuras.

     Antes de entrar no tema em si, é muito comum alguém vir me perguntar: “tô meio de saco cheio do iPhone, o que você acha deu comprar um Android? Nexus ou Galaxy SIII?”. Bom, não sei se todos sabem, mas já tem alguns anos que sempre ando com dois aparelhos no bolso, sendo um iPhone e outro Android. Como ambos são topos de linha, a comparação é bem justa e honesta. É diferente de alguém querer comprar um iPhone 4S de R$ 2.000,00 com um mid-end de R$ 800,00. E outra: Android pra mim é a partir do 4 (ICS/ Ice Cream Sandwich), que atingiu uma maturidade digna de competir com iOs. Antes disso, não recomendo.

     Pra “acabar com o mistério” logo de cara, se eu tivesse que optar por apenas um aparelho, seria o iPhone. Eu adoro algumas coisas no Android (como veremos mais abaixo), mas a experiência de uso que eu tenho no iPhone ainda é superior. A integração do iOS com o OSX e o iTunes, bem como uma maior variedade de apps que realmente valem a pena, me fazem optar pela plataforma da Apple.

     Pode parecer uma bobagem sem limites pra quem é usuário do iPhone, mas a tão falada liberdade do Android é uma maravilha. Não é raro você querer fazer algo com seu telefone de R$ 2.000,00 e, por motivos puramente idiotas (e não por limitações técnicas), você ficar impedido de fazer porque a Apple não autoriza. No Android, isso não existe. O telefone é seu, você faz o que quiser com ele.

     Por mais que eu queira fazer um post direto e objetivo, dando fatos e não deixando a “guerrinha” de plataforma (e seus fervorosos defensores) interferir, não tem como eu deixar de abordar uma coisa: geralmente o pessoal que usa Android é muito mais cabeça aberta e reconhece que o sistema não é perfeito, enxergando no iPhone, algumas coisas boas. Por outro lado, o inverso é praticamente impossível. Os MacFags dizem que amam seu iPhone, mesmo com todas as limitações (que não são poucas, geralmente todas presentes no Android) e quando a Apple, depois de anos, lhes dá uma migalha do que queriam, mesmo sendo cópia lavada do Android, tais usuários quase vão ao delírio. É, pra dizer o mínimo, hilário.

     Muito se comenta sobre a tal liberdade do mundo Android, mas em que de fato isso de reflete? No Android, você pode escolher entre dezenas de Launchers e Themas, customizando todo ambiente no qual se quer trabalhar. E melhor, não precisa escolher entre um ou outro. Dá pra deixar instalado quantos quiser, conforme a sua necessidade e gosto pessoal. Por exemplo, durante o trabalho, pode ser que você prefira usar algo mais sóbrio, destacando os apps de uso profissional. Já depois do expediente, queira algo mais descolado, dando ênfase nos apps sociais e jogos. Dá pra controlar quantos ícones se tem no dock, nas telas, qual o espaçamento entre eles, tamanho de fonte, comportamento, transição, etc. Ou seja, é extremamente flexível e possível deixar o aparelho com a sua cara.

     Já imaginou ter um pacote de dados super caro e não poder usá-lo como bem entender, seja pra fazer tethering e compartilhar com o iPad, fazer um FaceTime ou baixar um app ou podcast um pouco maior? Muitas vezes, se a pessoa é usuário de um 4G ou 3G+, é perfeitamente possível e razoável baixar grandes quantidades de dados em pouco tempo, sem o menor prejuízo ao usuário. Mas ae, claro, entram os interesses comerciais da Apple, seus parceiros, operadoras, etc. Ou seja, você paga (e caro) por um aparelho, serviços/ planos e não pode fazer o que quiser com ele, vivendo dentro dos limites impostos pelo fabricante. Isso não te incomoda? Deveria!

     A Apple vive num mundo onde a pessoa não pode baixar pornografia via aplicativo, mas direto dos apps nativos do Youtube ou do Safari, sem problema. Esse tipo de controle excessivo sobre a vida do usuário é algo que atormenta muitas pessoas. Você só pode ver o que a empresa deixa, comprar os apps que não vão contra os interesses comerciais dela e dos seus parceiros, bem como viver num mundo ideal planejado pela empresa. No Android, por mais que se tenha risco de pegar um malware no Google Play (e já houveram casos), você é o real dono do aparelho e baixa nele o que bem entender, sem censura prévia.

     Falando em Google Play, lá você pode comprar o aplicativo que quiser, testar a versão completa e caso não goste, tem 15 minutos para cancelar a compra, de maneira simples, clicando apenas em um botão. Nada será lançado em seu cartão de crédito. Já vi muita gente dizer que na App Store também é assim e sinto lhe informar: não é nem perto disso. Na App Store, se você comprou algo e não gostou, pode preencher um formulário, explicar seus motivos e pedir o estorno. Se o funcionário do suporte estiver de bom humor, ele estorna. Senão, você rodou com o valor do aplicativo. Eu já comprei muito app porcaria, que mal funcionava, todo bugado, preenchi o tal formulário e nem resposta tive. Ou seja, entre preencher um formulário e rezar pelo estorno ou ter 15 minutos pra clicar num botão e ter a compra cancelada, sou mais essa última.

     O iOS foi apresentado ao mundo em 2007 e, nesses cinco anos, ainda não é possível fazer um uso efetivo do bluetooth. Quantas vezes você quis mandar uma foto, música, vídeo ou documento pra alguém, às vezes com um telefone até bem mais modesto que o seu e teve que ficar com aquela de bobo e dizer: “meu telefone de R$ 2.000,00 não tem esse recurso. posso mandar no email?”. Com o Android não tem disso meus amigos. Você ativa o bluetooth, emparelha os aparelhos e manda o que precisa em questão de segundos, sem qualquer complicação.

     No iPhone você tem apenas um tipo de teclado. Eu particularmente gosto dele, mas às vezes queria algo mais ágil. No Android eu costumo usar o Swype, que é uma forma mais inteligente e rápida de se “digitar”, apenas passando os dedos entre as letras, sem tirar o dedo da tela, simulando o toque físico. Demora um pouco pra se acostumar, mas depois, o ganho de agilidade é estupendo. Além do Swype, gosto do SwiftKey e do Go Keyboard. Como vocês puderam notar, existem vários tipos de teclado que você pode escolher, conforme seu gosto pessoal.

     Uma coisa que a Apple apostou no passado e parece que desistiu, são os widgets. Logo que eu migrei pro Mac eu colocava vários widgets pra agilizar alguma operação, como o de previsão de tempo, calculadora, cotação de moedas, etc. No iOS, isso nunca foi implementado. No Android, eu tenho duas telas lotadas de widgets, onde posso ver coisas rapidamente, como os últimos tweets, posts do Facebook, emails, previsão do tempo, notícias do Google Reader, etc. Além de, num toque, habilitar ou desabilitar recursos do smartphone, como bluetooth, Wi-Fi, 3G, trava de rotação da tela, compartilhamento de internet 3G via Wi-Fi (tethering), música tocando no Oi Rdio, etc.

     No iOS 4 a Apple finalmente tentou implementar uma multitarefa no iPhone e iPad, porém, com a desculpa de otimizar a autonomia de bateria, não o fez da forma que todos esperavam e criou APIs para que os desenvolvedores pudessem adaptar seus aplicativos. No Android, a multitarefa é parecida com a do seu computador e ninguém precisa adaptar nada. Quando você abre um aplicativo e manda ele baixar certa coisa, ele não tem um tempo pra terminar e ou será fechado, como acontece no iOS. Você pode deixar quantos aplicativos quiser (e seu dispositivo suportar) abertos ao mesmo tempo. Qual a vantagem disso? Quando você tiver que sair dele e ir pra outro, como por exemplo, pra atender uma ligação, ver um SMS ou consultar algo no Google, quando você voltar pro app que estava usando, ele estará exatamente no ponto em que você deixou.

     Ainda falando em apps, os mais populares, estão disponíveis tanto no iOS como no Android. Por exemplo: Twitter, Facebook, Fousquare, Getglue, Netflix, Instagram, Pocket, Instapaper, Readability, TuneIn Radio, Oi Rdio, IMDb, Shazam, Amazon Kindle, Youtube, Dropbox, Box.net, Wunderlist, Speed Test, Skype, Fring, WhatsApp, Google Drive, Google Chrome, Angry Birds, Plants Vs. Zumbies, Cut the Rope, Fruit Ninja, etc. etc. etc. Eu concordo quando dizem que, visualmente, alguns apps para iOS são mais bonitos. Parece que existe um cuidado maior com a estética na plataforma da Apple. Porém, quando se trata de funcionalidade, não é incomum os apps para Android serem muito melhores, pois não ficam limitados as imposições da empresa de Cupertino. Por exemplo, pra usar algo em multitarefa ou acessar dados de outro aplicativo, é necessário fazer tanta gambiarra, que o negócio fica mal feito, lento e usa mais recursos. No Android, não tem isso. O desenvolvedor tem uma liberdade criativa muito grande e isso beneficia demais o usuário.

     Eu sei que existem alguns apps que prometem gerenciar o uso do 3G no iPhone. Porém, como a Apple não permite um uso numa camada mais baixa do sistema, isso nunca é bem feito. O Android, por sua vez, trás um excelente recurso de controle do plano de dados nativo no aparelho. Você pode configurar quantos MB tem seu pacote de dados, quando você quer ser alertado, se quer que os dados sejam desligados automaticamente ou não, bem como gerenciar, aplicativo por aplicativo, quanto foi consumido de dados em determinado período.

     Outros recursos como o tethering (compartilhar 3G), barra de notificações e controle de contas (Facebook, Twitter, etc.) diretamente no sistema operacional, ou a Apple já implantou ou está em vias de, então nem vou entrar no assunto. O fato é: no Android, isso já tem há muito tempo e funciona bem.

     Como nem tudo são flores, claro que usar um Android não é paraíso e tem seus problemas. Eu por exemplo, quando troco de smartphone, fico puto da vida em ter que reconfigurar e reinstalar tudo de novo, uma vez que o Google não tem algo parecido com o iTunes. Alguns fabricantes, como a Samsung, tem o tal do KIES, mas o aplicativo é horrível, tanto em funcionalidade, como em estabilidade. Eu sei que muita gente odeia o iTunes, mas eu gosto muito dele. Com ele eu consigo gerenciar de forma fácil e eficiente minhas músicas, podcasts, aplicativos, backups, etc. Eu sei também que existem alternativas para backup full no Android, como o Titanium Backup, mas não é a mesma coisa.

     Já tem alguns anos que uso Android e até hoje não achei um programa que seja razoável para reproduzir e gerenciar conteúdo. Nesse ponto muitos vão citar o AirSync, doubleTwist e outros, mas acreditem, não chega nem perto do que temos no iPhone. Não dá pra baixar um podcast no iTunes e transferí-lo para o Android ou vice-versa. Também não dá pra ter um bom controle de ranking, das músicas que mais se ouve, nem playlists inteligentes/ dinâmicos. Se eu chego da rua e estava ouvindo um podcast, não tem como sincronizar e continuar ouvindo no iMac. São coisas que podem parecer bestas pros usuários de Android, mas que no iOs é tão transparente e fácil, que já nos habilitamos e sentimos falta quando estamos usando o robozinho verde.

     Apesar deu adorar o lance de testar um app e, caso não goste, pedir o estorno no Google Play, no geral, ele é pior que a loja da Apple. Quando se procura algo na App Store, o conteúdo retorno é muito relevante. No Play, apesar da Google ser muito conhecida por seu motor de busca, a busca da loja é horrorosa e privilegia apps falsos e até malwares, em detrimento de apps oficiais. É comum você procurar por algo famoso, como Plants. Vs. Zumbies e vir dezenas de lixos na frente do app oficial. Isso jamais poderia acontecer!

     Quanto se fala em aplicativos, muitos apelam pra quantidade disponível em cada loja, sem se ater a qualidade. Claro que existe muito lixo na loja da Apple, mas acreditem, como a Apple não aprova qualquer porcaria (ou pelo menos esse é o foco), os desenvolvedores são mais rigorosos. Na loja do Google, existe muito app ruim, vírus, malware, clones de apps populares, além da chata restrição por aparelhos, gerada pela famosa fragmentação. Como eu mesmo disse nesse artigo, os apps mais populares já estão disponíveis em ambas as plataformas, mas tenha certeza que o hype vai começar antes no iOS, pois é a plataforma que mais dá retorno financeiro para as empresas. Não é incomum demorar meses (ou anos) para um app ser portado para o Android. E pior, tem casos que nunca aparecem. Até hoje eu não achei um bom leitor de notícias (como o Reeder) ou um cliente de Twitter decente (como o Echofon ou TweetBot).

     Eu espero ter esclarecido muitas dúvidas dos que sempre me perguntam se devem comprar um Galaxy ou um iPhone com esse post. Usem e abusem dos comentários para perguntar, acrescentar opiniões, discutir (civilizadamente), etc.

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