Faz pouco mais de 3 meses que comprei um Kindle (veja o review aqui) e agora faço parte dos milhares (milhões?!?) de fãs do aparelhinho. Claro, ele é extremamente simples e não se compara a um iPhone ou iPad, mas o charme do gadget é outro. Ele é super leve, fino, barato, lhe proporciona um conforto visual incrível em longas jornadas, além de ter uma autonomia de bateria maravilhosa e recursos muito bacanas para os amantes da leitura.
Nos primeiros dias com o Kindle eu pesquisei e aprendi como enviar conteúdo pra ele. Uso bastante o Calibre para converter livros de outros formatos (comprados legalmente – ou não, rs) para ele e depois enviar para meu email na Amazon, que faz o restante do trabalho, enviando para o aparelho. Claro, dependendo do formato, nem preciso usar o Calibre. Basta mandar um email com os documentos que quero em anexo e eles aparecem no Kindle, sem cabos. Se você usa iPhone ou iPad, o aplicativo do Kindle pra eles também acessa esse conteúdo, apesar de não sincronizar as notas muito bem.
Devido a meus hábitos em consumir conteúdo, fico sempre antenado no Reeder e Twitter. Não gosto de ficar lendo notícia “velha”. Enquanto estou programando, faço pequenas pausas pra ler as novidades. Assim, ler as notícias apenas uma vez ao dia, seja no final de noite ou durante o café da manhã, não faz parte dos meu hábitos. Sei que muita gente faz isso e seria até mais produtivo, mas minha hiperatividade não me permite ter essa rotina. Claro, os textos mais longos são enviados para o Instapaper ou Read It Later e leio em momentos mais sossegados.
Apesar do Kindle ser um gadget incrível, mesmo em sua versão 3G, ele não é o melhor dispositivo para navegar na internet. Pra suprir essa “falha”, existem inúmeros serviços e ferramentas. Muita gente me pergunta como ler feeds RSS no Kindle e nesse artigo eu vou compartilhar alguns dos meus hábitos com vocês.
Logo que comprei o Kindle eu comecei a procurar sobre formas de enviar RSS para ele. Como já disse, prefiro ler notícias mais quentinhas, mas por pura curiosidade, fui atrás do assunto. Um dos primeiros serviços que conheci foi o Kindle4RSS, que possue dois tipos de contas. A conta gratuita permite cadastrar até 15 feeds RSS e enviar até 25 artigos por vez, sempre manualmente. A conta paga, que custa USD 1.90 por mês, permite até 300 feeds RSS cadastrados, não tem limite de artigos e envia os artigos automaticamente pro seu Kindle. Enquanto a conta gratuita só permite o cadastro dos feeds manualmente, a conta paga tem uma ferramenta de importação e facilita sua vida em pegar todo o conteúdo no Google Reader, por exemplo. Quanto ao envio, você tem a opção de forçar manualmente a qualquer instante, além de poder deixar automático uma vez por dia ou a cada 8 horas.
Caso você tenha um perfil de uso mais parecido com o meu, lendo os feeds no smartphone, tablet ou computador, reservando o Kindle apenas para os textos mais longos, saiba que também dá pra baixar pra ler offline o conteúdo tanto do Instapaper, como do Read It Later, dois dos mais populares serviços nessa área. No caso do Instapaper, existe uma ferramenta nativa dentro do próprio painel de serviços. Já no Read It Later, você terá que recorrer a serviços de terceiros, como o Crofflr, que tem um custo de adesão de USD 5 (não tem mensalidade).
Não pretendo fazer um passo a passo muito detalhado, mas apenas para não deixar muito vago, irei passar algumas orientações. Em resumo, todo dispositivo Kindle tem um email único de cadastro. Provavelmente você já sabe qual é o seu, mas caso ainda não saiba, pode se logar na sua conta da Amazon, depois ir até o ícone “Manage Your Kindle”. Será aberto um painel com uma barra de opções a esquerda, onde você deve clicar em “Manage Your Devices”. Na parte da direita vão ser listados todos os dispositivos registrados, inclusive iPad, iPhone, tablet e smartphones Android, se for o caso. Na frente dos dispositivos (o próprio Kindle e os iOS, nada nos Android) haverá o campo “Send-to-Kindle E-mail Address”. Lá, tem um email similar a amazon_12345@Kindle.com. Tudo que você enviar para esse email será automaticamente convertido e reenviado para o dispositivo. Detalhe importante: se o seu Kindle for versão 3G, caso você use amazon_12345@Kindle.com, haverá um custo no envio. Se você não quiser pagar por isso, limite-se a usar o amazon_12345@free.Kindle.com, que fica restrito a sincronia via Wi-Fi.
Uma vez que você já saiba qual o email do seu Kindle, você pode aceitá-lo ou então mudá-lo, indo até a opção “Personal Document Settings” na aba da esquerda. Como eu disse antes, apenas os próprios Kindle e dispositivos iOS tem emails para essa finalidade. Portanto, não serão listados nenhum dispositivo Android. Na frente de cada email tem uma opção “Edit”. Clicando nela, abre-se uma pequena janela popup com uma caixa de texto para você escolher um novo nome de email. Eu recomendo que você faça isso, pois é mais fácil decorar gg_ipad@kindle.com do que amazon_12345@kindle.com. Mas isso vai de cada um.
Ainda na tela de “Personal Document Settings”, mais abaixo, note que existe uma lista “Approved Personal Document E-mail List”. Ali estão listados todos os emails “confiáveis” que a Amazon irá aceitar como origem dos documentos que serão convertidos e enviados aos dispositivos. Se algum email não listado ali, de pessoa ou serviço, enviar algo para amazon_12345@kindle.com, ele será recusado. Essa é uma maneira de se evitar spams. Portanto, sempre que você assinar algum serviço, irão lhe fornecer um endereço de origem. Para adicioná-lo, basta clicar em “Add a new approved e-mail address” e ele será autorizado como fonte de informação. Recomendo que você faça isso inclusive com seus emails, pois é bem prático enviar coisas por ele para o Kindle (nada de cabos).
Voltando ao Instapaper, se você quiser enviar o conteúdo de lá para o Kindle, logue-se no site, depois vá em extras e escolha a opção para Kindle (atalho aqui). Lá você vai ver qual o email de origem do conteúdo (ex.: kindle.12345@instapaper.com). Você deve voltar ao site da Amazon e cadastrar esse email como fonte de conteúdo pra sua conta. Feito isso, volte ao site do Instapaper e informe o email do seu Kindle (ex.: amazon_12345@free.kindle.com) dentro da caixa “My Kindle’s email address”. Logo abaixo você terá a opção de escolher quantos artigos quer receber por vez, bem como a hora que o serviço vai disparar o email para a Amazon, que depois irá remeter ao Kindle. Se você quer ler esse conteúdo no café da manhã, configure por exemplo para 6AM GMT-3. Dica: se você for usuário pago (USD 1 por mês), pode ir até “Account” e na frente de “Send a compilation of my articles to my Kindle:” clicar no ícone “Send Now” a qualquer hora do dia, forçando o envio do conteúdo pra Amazon. As contas gratuitas não tem esse recurso e recebem o conteúdo apenas uma vez ao dia.
Para receber o conteúdo no seu Kindle, ele precisa estar com o Wi-Fi ativo. Para configurá-lo, clica no ícone Home (casinha), depois no ícone da esquerda (lista), vá até Configurações, Redes Wi0Fu e clique em exibir. Serão listadas todas as redes Wi-Fi das proximidades. Desça com o curso até a sua rede e clique em conectar. Se for a primeira vez que você faz esse procedimento, será pedida a senha, que deve ser digitada através do teclado virtual. Uma vez conectado, observe no canto superior esquerdo que um círculo girando irá aparecer. Isso indica a sincronia. Assim que terminar, recomendo que clique novamente no botão lista, depois em Desativar rede sem fio. Isso fará com que a autonomia de bateria do Kindle seja maior. Segundo a Amazon, a bateria dura um mês com o Wi-Fi desligado e apenas uma semana com o Wi-Fi ligado. Na prática, lendo moderamente, ligando o Wi-Fi apenas de vez em quando pra sincronizar, ela dura cerca de 15 dias, o que é uma autonomia excelente.


Esse aparelho da Kindle é muito limitado. Ele tem a grande vantagem da tela e-ink e a duração da bateria, com certeza, mas é só.
Até para ler pdfs com figuras e multicolunas se passa trabalho e pode ser uma experiência muito ruim. Mais, e as leituras de jornais e revistas que são formatados na tela como aparecem no papel? Realmente não tem como visualizá-los no KIndle, e isso é uma grande limitação para quem também gosta de ler esse material e assinar conteúdo digital deles, até porque é mais barato que em papel.
Agora com a novidade dos apps-books com conteúdo multimidía, seja educativos ou não, que a Apple vai propiciar que as editoras lancem em massa para o iPad, mais baratos que os livros didáticos em papel, e também a novidade dos livros-jogos, abre um grande novo segmento que vai obrigar os e-readers simplórios a evoluirem.
Mais, acho que não demora o dia que lançarão um tablet com e-ink color, então será a última pá de terra em cima DESSE tipo de aparelho. Enquanto isso, palmas a ele, a tela e-ink foi uma inovação e tanto.
William, não sei se você já teve (ou tem) um Kindle, mas essa opinião é típica de quem tem tablet e nunca ficou com um Kindle por mais de alguns minutos. Claro que o iPad e outros tablets fazem muito bem outras tarefas, como você citou, mas pra ler um livro, o Kindle é sensacional. Pergunte pra quem tem se gostam do aparelho.
Concordo, geek, o Kindle é sensacional para ler um livro, a leitura num tablet e em telas lcd, led, é cansativa…Mas quando eu disse que é superlimitado foi baseado no universo da minha necessidade de leitura, que não se restringe a livros, leio muito mais de várias midias: internet, jornais, revistas e material em pdf que não tem só texto, e nesses casos o tablet dá de goleada, ainda mais que os valores a pagar pelo avulsos ou assinaturas de jornais e revistas é mais em conta do que em papel. Então tenho de gastar money com os dois, tablet e Kindle básico? Acho um absurdo, aqui ainda se paga muito por ambos.
Dá bem para ler jornais e revistas num tablet porque não se lê todo o conteúdo, então a leitura não fica cansativa, mas o motivo principal do uso de um tablet é que é muito melhor a experiência, pois se "rastreia" visualmente o conteúdo de jornais e revistas como se fossem as versões em papel. A diagramação de jornais e revistas em papel tem uma ciência de "quinhentos anos" aprendida pelos da área, nenhum html consegue chegar perto. Os titulos com suas chamadas secundárias, os blocos de frases inseridos no meio das colunas, os infográticos e as imagens inseridas no meio do texto, as pequenas noticias, nada se compara em experiência de rastreamento visual. Um jornal fatiado em html se filtra geralmente só o assunto que mais interessa, mas folhear um jornal real (ou num tablet como se fosse o de papel) é apostar na possibilidade de se ler qualquer coisa que não se espera interessar, e a sensação é que se passou por todo o conteúdo sem deixar nada para trás, mesmo que se tenha lido só os títulos. O Kindle leitor de livros nem pensa em chegar perto do que um tablet permite fazer em termos dessa eficiência,.
Geralmente o que acontece? Tecnologia que faz perder alguma coisa de bom do mundo analogico ela tem dois caminhos, ou evolui para chegar perto ou ela morre. Tecnologia que permite a mesma boa experiencia do "analogico" é muito bem aceita e vira padrão, matando as "atrasadas". A linha basica do Kindle só sobrevive pelo fato de que mostra a tela como se fosse o "analógico" papel, a boa experiência do papel, que não cansa a leitura, se fosse uma tela lcd o Kindle básico já teria morrido. Mas tem um outro caminho aí, a Amazon, com o grande sucesso do Fire que inclusive "canibalizou" o mercado da sua própria linha mais básica, pode decidir descontinuar a básica em algum momento no futuro se os próprios consumidores continuarem comprando muito mais o tablet, ainda mais se os app-books forem a novidade que vai gerar alta demanda.
Eu devo fazer uma retificação, no post anterior disse que estava na torcida para que aparecesse logo um tablet com e-ink color, mas racionalmente percebo que agregar um alto valor no custo final do equipamento ao colocar uma tecnologia que é cara para só acrescentar valor para a leitura de livros simples no tablet, em função das mil e outras utilidades dele, não tem muito sentido, tem?
Acho que o caminho mais natural será, em algum momento, o Kindle básico sobreviver (se for dado de graça) ou desaparecer de vez por decisão sumária das empresas devido a uma baixíssima demanda.
Uma outra boa opção para ler artigos no Kindle é o Readability. A extensão para navegadores já envia o arquivo diretamente.
E, ainda, estão chegando para iOS no dia 01/03/12.
Vale salientar que o Readability também é integrado ao Reeder, o que facilita a leitura de artigos pelo agregador de feeds.
William, a função do Kindle é ler livros. E só isso.
Afirmar que um e-reader é superlimitado por não oferecer bom suporte para leitura de pdf's e jornais em mídia eletrônica faz tanto sentido em dizer que uma tv que acessa a internet é superlimitada porque não permite que eu edite vídeos com a facilidade que um computador de mesa me proporciona. Ou ainda, que todos nenhum tablet presta, pois não permitem rodar jogos de última geração. Cada aparelho possui sua função. O suporte para leitura de pdf's e jornais é um adicional para um Kindle, e nada mais.
E sim, se paga duas vezes. Assim como um fotógrafo pega uma pelo celular e em um segundo momento, paga por uma câmera fotográfica. Quem compra o Kindle faz como o fotógrafo, quer um aparelho que faça uma única atividade, mas com qualidade superior ao que usualmente encontra.