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Desculpe amigo: não trago muamba na mala

1 Comentario »Postado por GordoGeek em 28/06/2012 às 01:52h

     Depois de quase dois anos sem férias e muito stress na cabeça, eis que resolvo, de uma hora pra outra, sair de férias. “Eu mereço”, grita uma voz interior. “Sai logo antes que a gente te mande pro hospício”, diz outra (essas são as pessoas que convivem comigo). E, contrariando tudo que é mais aconselhável pra se fazer uma viagem tranquila e em conta, decido viajar em menos de 10 dias e pior: em julho.

     Por mais que eu tenha procurado a exaustão e aceitado fazer várias conexões, ir pra outras cidades pegar voos mais baratos e tudo o mais, não tive como fugir de uma passagem que beira os R$ 3.000,00. Afinal, estamos na alta temporada! E hotel? Tive que fazer a loucura de fechar com quatro hotéis diferentes, mudando de local a cada três dias, pra conseguir fechar uma tarifa que coubesse no meu orçamento. Até hotel vagabundo, com banheiro coletivo, eu tive que aceitar. Usei o limite de quatro cartões de créditos, vou comer McDonalds todos os dias, mas consegui! Sairei de férias.

     E por que eu usei dois parágrafos pra falar sobre isso? Pois bem, sempre que um amigo vai para o exterior, é natural que a gente queira aproveitar e pedir para que traga algumas coisinhas, afinal, é tudo tão mais barato lá fora! Alguns querem uma camiseta, outros um relógio, um perfume e tem até quem queira notebooks. Eu não costumo pedir esse tipo de favor pra amigos, por mais que eles se disponham a fazer e se ofereçam sempre que viajam. Tenho um amigo que viaja quase todos os meses para os Estados Unidos, sempre disse que traria coisas pra mim, mas eu recuso. Eu prefiro pagar 30% pra um conhecido trazer as coisas pra mim, do que deixar um amigo em situação constrangedora.

     Tirando os meus amigos próximos e familiares, tenho cerca quase 8.000 seguidores no Twitter. Muitos eu troco mensagens diariamente e considero como amigos. A gente se diverte, ri, pede ajuda, etc. E nisso a gente constrói uma amizade. Quando eu falei que ia viajar, muitos me falaram: “ou, não tem como me trazer um negocinho?”. E eu falei que iria fazer um post a respeito, assim que tivesse tempo. E esse é o post.

     Eu não pretendo comprar muitas coisas nessa viagem. Como disse, usei o limite de quatro cartões e vou praticamente viver de McDonalds. Se eu tivesse um mínimo de juízo, eu nem viajaria. Mas eu realmente estou precisando relaxar. Meu trabalho com tecnologia é extremamente estressante, pois trabalho com servidores de missão crítica e fico de plantão 24 horas por dia, 7 dias por semana. Detalhe: como os dados são sigilosos, eu não confio em contratar alguém pra me cobrir esses dias, então vou sair de férias, mas de plantão, com aquele fantasma do SMS bombástico chegando e acabando com meu dia (como já aconteceu em várias viagens que fiz).

     Isso dito, o pouco dinheiro que estou levando pra comprar algumas coisinhas que quero pra mim, meus filhos e minha família, vai caber dentro da cota dos USD 500 que tenho direito. Se passar, vai ser tão pouco, que eu vou declarar e pagar os 50% de imposto sobre o excedente. Eu não tenho lá muito sorte. Se eu fizer algo errado, certamente vou suar frio e isso vai me denunciar. Ae, vou passar vergonha e terei que pagar multa de mais 50% sobre o que não foi declarado. Detalhe: volto pelo aeroporto do Rio de Janeiro, onde todo mundo diz que a Receita Federal trabalha com afinco.

     Resumindo a história pra finalizar: eu poderia simplesmente bancar o ‘chato’ e dizer pra pessoa: ‘não vou trazer nada, me desculpe’. Como eu sou uma pessoa que gosta de ajudar e o blog é prova disso, pois aqui é um lugar que compartilho dicas e procedimentos, fiz esse texto, relativamente grande, explicando os meus motivos. Quer que eu traga algo pequeno e que não vá me dar trabalho? Trago com prazer, mas nem cogite a hipótese deu bancar o muambeiro, trazendo coisa malocada na mala, sem recolher os devidos impostos. Se realmente quiser algo, compre via internet, pague no seu cartão, mande entregar no meu hotel, deposita os 50% do imposto que vou recolher ao chegar e faço esse favor pra ti. Mas entre pagar os 50% e me dar esse trabalhinho extra, não seria mais vantagem pagar os 30% que os “profissionais de importação” costumam cobrar? #FikDik

     Se você não é leitor costumeiro do blog e caiu aqui porque me pediu algo e eu te mandei esse link, espero que realmente entenda meus motivos e não fique chateado com essa atitude. Seria muito mais chato eu trazer seu produto e depois te ligar: “ou falano, a Receita Federal pegou, deposita ae 100% do valor do produto, referente ao imposto mais multa, senão ele ficará apreendido aqui”. Já pensou, seu produto que custa R$ 100,00 lá fora, sair por R$ 200,00, e aqui ele teria custado R$ 170,00 e poderia ser pago parcelado, sem apertar no bolso? Detalhe: senão pagar os impostos e multa dentro do prazo, seu produto vai pra leilão e não tem choro. Com a Dilmoca, não se brinca.

One Response to “Desculpe amigo: não trago muamba na mala”

  1. Bakana gostei da esplanacao valeu , minha mae esta na america volta semana que vem nao posso perder a oportunidade dela trazer a guitarra dos sonhos de meu filho, mas de eletronico ela nao vai traser nada somente a guitarra , pensando melhor e mais seguro recolher o imposto .

    Adilson

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