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Eu NÃO quero ir para o lado negro da força

11 Comentarios »Postado por GordoGeek em 19/05/2011 às 11:07h

     Como programador, eu sei a importância do copyright e como a falta dele pode fechar empresas e impedir pessoas de ganharem a vida com o fruto do seu trabalho. Porém, leis de direito autorais antigas precisam ser imediatamente revistas e atualizadas para as novas realidades. A da Inglaterra por exemplo, que atualmente está sendo reformulada, tem mais de 300 anos. A do Brasil não é tão velha assim, mas também está sendo alterada.

     É justamente por viver de direito autoral, vendendo licença de uso dos meus softwares/ projetos, que eu tento me policiar ao máximo para não fazer aos outros o que não quero que façam comigo. Conforme eu já mencionei algumas vezes por aqui, eu pago a minha TV por assinatura (mesmo usando muito pouco), pago pelos serviços de vídeo Hulu Plus e Netflix, pelos de música Grooveshark e Zune Pass, além de comprar muito software pra Mac, Windows e iOS, seja no iPhone ou iPad. Também nunca tive um console de video-game desbloqueado, mas acho que isso está prestes a mudar.

     O modelo de negócios da App Store da Apple é muito bem sucessido e alavancou as vendas de seus dispositivos, permitindo que o usuário tenha acesso a uma imensidão de conteúdo de forma rápida, simples e barata. Por outro lado, algumas imposições da Apple, restringindo quais aplicações vão para a loja ou são barradas desagrada a muitos. Além disso, poucas aplicações tem uma opção para teste antes da compra, geralmente com opções mais simples (chamadas na loja de “light”). Alguns argumentam que é possível comprar, usar e se não gostar, basta reclamar que a Apple estorna a compra. Não é bem assim! Eu sei de gente que conseguiu o estorno, mas eu já tentei várias vezes com aplicações totalmente bugadas e cheio de gente reclamando nos reviews e nunca me estornaram nada. Pior, nunca sequer deram satisfação.

     Se o modelo da Apple é bom, mas ainda assim, tem algumas falhas, o que dizer do adotado pela Microsoft no Xbox? Confesso que não sou heavy-user de consoles, muito pelo contrário. Comprei o Xbox exclusivamente pelos jogos do Kinect. Falando deles, esse é o motivo mais recente da minha “revolta”. Ontem chegaram seis novos jogos que eu havia comprado e boa parte deles são péssimos! Alguns argumentam: “mas tem trailers, reviews, você não pesquisou antes de comprar?”. E por um acaso, você já viu algum trailer ruim, seja de jogo ou filme? A intenção deles é sempre ressaltar o que há de melhor e alavancar as vendas, mesmo que pra isso, o consumidor seja “levemente” enganado.

     A Microsoft tem uma rede online chamada Live. Nessa rede você pode jogar com amigos, comprar acessórios para seu avatar, novas fases de jogos, alguns jogos completos e experimentar outros. Infelizmente, a quantidade de títulos que podem ser testados é pequena. Comprada então, menor ainda. Se for pra Kinect então, dá pra contar nos dedos. Ontem eu estava discutindo sobre isso no Twitter e argumentaram: “mas a culpa não é da Microsoft e sim das produtoras dos jogos”. Eu discordo dessa opinião. A Microsoft, como dona da plataforma, é quem deveria ditar as regras, como: “quer desenvolver para a minha plataforma, siga as minhas regras. Todo jogo deve ter demo e deve estar disponível na loja online.” Claro que os varejistas parceiros iriam xiar, mas você consegue ver, por mais muito tempo, a venda de conteúdo em pacotes físicos ao invés da internet? A Netflix sozinha já é responsável por 30% do tráfego de internet nos Estados Unidos provendo conteúdo via internet. Ninguém mais quer sair de casa pra fazer coisas que é muito mais cômodo fazer pela internet.

     Antes de me decidir pela compra dos jogos, tentei antes pesquisar na Live. Como já dito antes, poucos jogos haviam disponíveis para demo. Os que estavam ali, baixei, testei, gostei e quando chegaram, foi exatamente o que eu esperava: jogos bem feitos e que valem ser comprados. Outros no entanto, que não deu pra testar, tive que apelar pro Google e ir atrás de fóruns especializados. Os vídeos de todos os jogos do Kinect são espetaculares. Não existe um único trailer de jogo que você não tenha vontade de comprar. Porém, dos seis que recebi ontem, quatro são horríveis, especialmente na usabilidade. Enquanto alguns jogos fazem um uso muito bom da tecnologia da reconhecimento do Kinect, outros detectam os movimentos de forma totalmente imprecisa e bizarra. Isso não tem como ver sem um demo, mesmo que seja de 10 minutos.

     Muito se discute sobre pirataria e como a geração atual se acostumou a não pagar por nada. Talvez por não ser dessa geração, eu penso diferente e pago pelo que consumo. Porém, ver uma propaganda que apresenta um produto totalmente diferente do que ele é, pagar por ele e depois ficar com cara de idiota, eu não concordo. Da mesma forma que o produtor do conteúdo tem seus direitos, eu como consumidor também devo ter. Estou pensando seriamente em desbloquear meu Xbox, baixar os jogos via torrent e só pagar pelo que eu realmente aprovar e for usar. Apesar de não querer, a Microsoft está me forçando a tomar o caminho do lado negro da força. Não deveria ser o contrário? Ela me estimular a pagar pelo seu conteúdo, com mais benefícios e facilidades do que “pegar por ae”?

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