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Explicando um pouco sobre comunidades de torrent

8 Comentarios »Postado por GordoGeek em 05/08/2013 às 11:39h

     Conforme já narrei inúmeras vezes aqui no blog, sofri durante anos com o Speedy da Vivo/ Telefonica. Ligava toda semana pra tentar aumentar minha velocidade e nunca tinha disponibilidade. Assim, logo que apareceu uma alternativa viável, eu assinei e atualmente tenho “incríveis” 4Mb. Não é muita coisa, especialmente se comparado ao que existe em grandes centros, mas melhorou demais pra mim.

     Em velocidade nominal, que é aquela que aparece nas propagandas, a minha velocidade de download dobrou, indo de 2Mb para 4Mb. Porém, na prática, como meu Speedy raramente passava de 1Mb (velocidade real), praticamente quadriplicou. No upload então, o máximo do Speedy eram 300kb e agora tenho 4Mb. Esses incrementos de velocidade mudaram alguns hábitos na minha vida. Antes era praticamente impossível assistir algo no Youtube ou Netflix sem passar raiva, então eu nem me dava ao luxo. Subir os vídeos do blog pro Youtube, em qualidade HD, demoravam 12Hs. Agora subo em fullHD em 2Hs.

     Dentre essas mudanças de hábitos, comecei a participar de alguns clubes privados de torrent. Muita coisa da TV aberta que eu não conseguia ver ao vivo, agora baixo pra ver depois. Porém, mesmo eu tendo um upload bem alto, não conseguia (sabe-se lá Deus o motivo) fazer uso de toda a banda disponível. Não sei se era problema de equipamento, configuração, traffic shaping no provedor ou outra coisa qualquer.

     Quando você baixa algo usando um “torrent público”, é recomendável que você deixe o arquivo ativo mesmo depois de terminado, de forma que você possa ajudar outros usuários, pois parte da sua banda vai pra isso. Porém, muitos usuários, seja pra economizar a banda, energia (desligando o PC depois de baixar), sacanagem ou falta de cultura mesmo, não agem assim, o que acaba prejudicando o esquema de compartilhamento daquele conteúdo, pois quanto menos pessoas estiverem compartilhando, mais lento fica. E, se ninguém compartilhar, o conteúdo fica indisponível, impossibilitando novos downloads.

     Em clubes privados de torrent, os arquivos de torrent não são públicos. Em tese, apenas os membros da comunidade podem baixar esse conteúdo. Cada arquivo de torrent é gerado para um usuário específico, de forma a conseguir identificar o que o usuário está baixando e enviando de volta pra comunidade. Assim, você até pode enviar seu arquivo de torrent pra algum amigo, mas seus índices serão afetados por ele. E isso pode ser bem prejudicial pra você, pois vai impactar o seu ratio. Além disso, a sua senha está indo junto com o arquivo de torrent e a pessoa que tiver acesso ao arquivo, em tese, pode aprontar poucas e boas para a sua conta. Assim, não é recomendável passar seus arquivos de torrent pra ninguém.

     Já sabendo que os usuários não tem o hábito de permitir o upload, pois só gostam de pegar, mas não de enviar, os clubes privados de torrent tentam controlar isso monitorando o quanto cada usuário baixa e compartilha através de um índice chamado ratio. Se você baixar 1GB, mas só compartilhar 100MB, seu ratio vai baixar para 0.10, pois você baixou 10 vezes mais do que compartilhou. E isso é cumulativo. Acontece todas as vezes que você baixa algo. Assim, se você só ficar baixando, sem compartilhar, seu ratio vai degradando. Como muitas comunidades expulsam os membros com ratio abaixo de 1.0 depois de um tempo, de forma a punir quem não contribui para a comunidade, isso pode se tornar um problema para alguns membros.

     Para contornar esse problema, muitos usuários acabam apelando para um esquema chamado de Seedbox, que são serviços especializados em fazer com que o ratio do usuário seja elevado, pois contam com uma taxa de download e upload muito alta, especialmente para os padrões de upload brasileiros, onde geralmente o download fica em 10 e o upload em 1/10 disso. É possível contratar serviços com upload de até 15Mb!

     Um dos serviços de Seedbox mais populares é o Seed.st, que foi apresentado a mim pelo O_Nerd. Com planos a partir de USD 2 por semana, eles oferecem taxa de transferência e números de torrents ilimitados, mas com restrições de espaço em disco e taxa média de upload, de acordo com o plano escolhido. Isso é muito mais negócio do que assinar um serviço de Cloud, por exemplo, pois o usuário não está infringindo as regras do fornecedor do serviço (podendo ser punido por isso), nem terá que lidar com instalações e configurações. Tudo é muito simples: você baixa o .torrent, joga pra lá e ele começa a compartilhar.

     Como o objetivo final do usuário é manter o ratio acima de 1.0, é interessante o fato do pagamento poder ser feito por semana e não apenas por mês, visto que talvez esse curto período seja suficiente para elevar um ratio baixo para a taxa mínima desejada. Assim, você pode ter uma conta lá e, quando ver que seu ratio vai ficar abaixo do recomendado, joga um arquivo bem popular pra lá, deixa uma semana, aumenta o ratio, depois não renova.

     Aproveitando o post, muitas pessoas me pedem convites para esses clubes privados. As regras para emissões de convites variam de acordo com a comunidade, mas geralmente são bem restritivas. Numa das comunidades mais conhecidos do Brasil, por exemplo, o usuário só recebe direito a um mísero convite depois de 8 meses participando e cumprindo as regras. Ou seja, pra quem acabou de entrar, nada de convites. E como é muita gente querendo entrar e poucos convites disponíveis, isso acaba gerando um mercado negro de venda de convites. Eu já vi anúncios no Mercado Livre vendendo um convite por quase R$ 100,00. Agora imagina, você batalha fazendo tudo certo pra conseguir um convite, dá pra um amigo e ele “mija fora da bacia”, não mantendo o ratio ou cometendo qualquer outra infração e perde a conta. Dá raiva, né? Assim, dificilmente as pessoas dão convite a um desconhecido, preferindo trazer um amigo mais próximo para a comunidade.

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