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Minhas impressões do Kindle de quarta geração.

21 Comentarios »Postado por Pedro Alves em 11/11/2011 às 17:32h

     Como publiquei há algumas semanas, comprei um Kindle de quarta geração e trouxe para o Brasil utilizando os serviços da Skybox. Já estou com ele a cerca de três semanas e me sinto impelido a compartilhar com meus leitores a deliciosa experiência que tenho tido.

     Acredito que a Amazon tem desenvolvido um espirito muito parecido com o da Apple no quesito “minimalismo”. Tenho consumido seus produtos mais intensamente nos últimos meses e sempre fico satisfeito com a maneira extremamente eficiente, intuitiva e harmoniosa que funcionam. Apesar de eu não lidar com essa área, essa boa fama tem acompanhado a empresa mesmo no ramo empresarial quando falamos de sua cloud, como o GordoGeek já comentou aqui no blog.

     A primeira geração do Kindle chegou em 2007. Pode não ter sido o primeiro gadget voltado para a leitura de livros digitais (assim como o iPod não foi o primeiro tocador de MP3), mas sem dúvida nenhuma é o mais conhecido e mais importante. A motivação principal de quem usa um Kindle deve ser apenas uma: leitura. Então navegar pela internet, ouvir músicas, assistir filmes ou jogar Angry Birds são atividades completamente dispensáveis ao gadget.

     No final de Setembro, a Amazon anunciou a quarta geração de Kindles. Dessa vez tivemos um modelo simples, dois com tela sensível ao toque (Wifi e Wifi+3G) e um terceiro modelo mais próximo ao iPad, o Kindle Fire. Esse terceiro modelo é talvez o mais ambicioso dos três, já que de Kindle só tem o nome. Desde o início a proposta de um Kindle foi bem clara: leitura. Portanto ler e-mails, navegar na internet, ouvir música, assistir filmes e jogar Angry Birds sempre foram consideradas atividades fora das ambições do aparelho. Com o modelo Fire as coisas parecem poder mudar um pouco de foco. Ele não possui a famosa tela E ink, e em funcionalidades se aproxima muito do iPad e outros tablets mais populares. Quem sabe seja um primeiro passo da Amazon em tentar abocanhar um mercado maior.

Não, essas unhas não são minhas

     Pois bem, já fazia algum tempo que eu estava namorando um Kindle. Sempre adorei a ideia de poder carregar toda a minha biblioteca no bolso sem precisar carregar toneladas de livros. Com meu iPad achei que veria esse problema resolvido, mas infelizmente não foi o caso. Ler no iPad é tudo, menos confortável. A tela retro iluminada cansa a vista demais em leituras longas. Além disso, por ser um gadget extremamente conectado e interativo, eu sempre tive uma facilidade enorme em perder a concentração. Sempre recebo alguma notificação de algum app, ou então no meio da leitura era seduzido pela facilidade de acessar algum site e quando ia perceber já tinha perdido muito tempo fazendo outras coisas. Isso sem contar que o iPad é muito pesado! Segurar aquele trambolho pode até ser muito bonito na keynote da Apple, mas na prática você pode condenar seu braço se segura-lo por mais de 10 minutos em frente ao rosto. O que eu queria com o Kindle era mobilidade em carregar meus livros, facilidade em acessa-los e acima de tudo que o gadget me proporcionasse conforto na leitura.

A Compra

 

A “home screen”

     Dessa nova geração, a Amazon só envia para o Brasil o modelo mais simples. Contudo, acredito que por causa da falta de interesse dos anunciantes, você não pode adquirir o modelo com “Special Offers”, que nada mais é do que propagandas exibidas no protetor de tela e em uma pequena faixa no canto inferior da tela de escolha de livros. Comprar o Kindle com essas propagandas lhe permitiria economizar U$30 no aparelho e, se depois da compra você não se acostumar ou quiser acabar com as propagandas poderá a qualquer momento pagar esses exatos 30 dólares e pronto, adeus “ads”.

No meu caso, como já narrei anteriormente, preferi comprar o modelo simples com special offers e utilizei o Skybox para entregar no Brasil. Fiz essa escolha por já possuir um iPad e, portanto, acho que os modelos touch e Fire ofereceriam funções redundantes ao que já tenho e não justificavam o preço. Não vou gastar mais tempo falando sobre essa etapa já que falei bastante no meu post anterior.

O Kindle

Harmonia Apple-like.

As boas surpresas começaram desde o momento de abrir a caixa. Tudo é tão simples e bem montado que até parece que é um produto da Apple. O acabamento do novo Kindle é impecável e o design é maravilhoso. Com uma aparência extremamente sóbria e elegante, fiquei encantado logo de cara.

 

Todos os ângulos.

     Pesa apenas 170 gramas, o que é algo ridiculamente leve. Você pode segura-lo durante muito tempo sem chegar perto de sentir o cansaço no braço que sentiria com um iPad. Juntando isso com o fato de que ele é extremamente fino, temos uma facilidade extrema para guarda-lo e transportar por ai. É tão discreto que arrisco dizer que chega até a ser possível utiliza-lo em lugares públicos sem que notem que você está segurando um leitor digital e não um panfleto.

Botões laterais.

     O modelo que comprei possui quatro botões laterais para mudança de página, dois do lado direito e dois do lado esquerdo. Esses botões ficam em uma altura perfeita para encaixarem bem abaixo dos seus polegares enquanto você segura o aparelho (mas não de forma a implicar neles sendo pressionados por engano) e permitem a mudança de página muito facilmente. Se você está segurando o gadget com a mão direita, basta utilizar os botões do lado direito. Se não, basta utilizar os botões do lado esquerdo. O negócio é tão bem feito que é praticamente perfeito na tarefa de tornar a tecnologia praticamente invisível ao usuário. Durante a leitura de um livro de suspense você quer se focar na trama do livro, não no livro físico. Seja lá onde você estiver lendo, você não quer ter de perder a atenção na história e redireciona-la ao meio usado na leitura.

Teclado Catador de Milho.

     Os novos modelos do Kindle, diferente das versões anteriores, não possuem mais teclado físico. A Amazon assumiu uma postura muito radical quanto a isso. Os modelos touch e Fire lidam com isso da mesma forma que o iPhone e o iPad, um teclado virtual pode ser projetado na tela se for preciso. Já o modelo mais simples, que adquiri, apenas fornece uma digitação do tipo “catador de milho”. Você abre o teclado e tem de ficar “catando” as letras com os controles direcionais. Isso com certeza é um pé no saco, e torna praticamente inviável escrever qualquer frase maior do que poucas palavras. Contudo, sabe de uma coisa? Não é uma experiência assim tão desgastante. Como eu disse, o Kindle foi projeto principalmente para a leitura. Digitar nele é uma coisa tão rara que não me importo em gastar um pouco mais de tempo. A única situação que consigo imaginar em que talvez ocorra uma perda maior por causa do método “catador de milho” de digitação é na digitação de notas dentro dos livros, mas é como dizem por ai “Não se pode ter tudo”. A melhora no novo design é sensível pela remoção da área do teclado, sem dúvida nenhuma não fez (muita) falta.

 

O Software

Como disse anteriormente, o Kindle foi feito para leitura. Ponto. Nesse aspecto, seu sistema operacional satisfaz completamente. Ele não te enche com opções malucas, não lhe obriga a gastar muito tempo sincronizando o gadget com algum computador e nem possui features que possam desviar sua atenção para qualquer coisa além do simples ato de ler.

Apesar de não existirir uma grande quantidade de livros técnicos em formato apropriado, sempre é possível usar PDFs com boa quaildade.

     O Kindle utiliza em um primeiro momento o formato proprietário da Amazon, o AZW, para seus arquivos. Contudo, não se restringe só a ele. Também suporta vários formatos mais populares, como Mobi, PDF, TXT e PRC.

     O envio dos arquivos para o gadget não poderia ser mais fácil. A forma mais intuitiva é liga-lo ao computador utilizando a porta USB e transferir os arquivos como se estivesse usando uma pendrive.  Se isso não fosse suficiente, todo Kindle possui um e-mail do tipo @kindle.com. Ao enviar arquivos para esse e-mail, a Amazon repassa via Wifi (ou 3G, caso seu Kindle suporte. Apesar de que nesse caso é cobrada uma taxa de $0.15 por MB enviado) para seu dispositivo. Além disso, se você enviar o e-mail com o assunto “convert” ela permite a conversão de uma dezena de formatos para formatos compatíveis com o Kindle.

     Se o usuário quiser realizar a leitura de arquivos em outros formatos em seu Kindle, sempre podemos contar com softwares de conversão, como o Calibre. Permite que se convertam formatos populares como DOC e EPUB para AZW, e até possui plug-ins para a remoção de DRM como aquele usado nos livros vendidos pela Saraiva. Sem duvida é um software essencial para todo usuário de um Kindle.

Instapaper, Google Reader, etc…

Adoro isso.

     Essa é uma das minhas funcionalidades favoritas. Para quem não conhece, Instapaper é um serviço gratuito do tipo “Read Later”. Nos dias atuais de grande correria, nem sempre temos tempo para ler certas noticias ou artigos grandes demais (quem me lê a mais tempo deve entender bem o que eu quero dizer com isso) mas também não queremos apenas desistir e ver a publicação se perder no limbo da web. O Instapaper propõe justamente que se envie para ele esse tipo de publicação (através de um botão “Read Later” nos seus favoritos do browser, por exemplo) e permita guardar tudo até que se tenha tempo suficiente para a leitura.

     Através de algumas configurações muito simples feitas no site do Instapaper é possível programa-lo para que todo dia de manhã envie para seu Kindle as mais recentes notícias que você adicionou a serviço. É algo tão bem feito que muitas vezes prefiro enviar quase tudo que leio na internet para ele só para ter o conforto de ler com calma no dia seguinte através da tela E ink do Kindle. Vale lembrar que essa “mamata” pode ser estendida ao Google Reader e inclusive a feeds RSS de blogs. É uma mão na roda para quem quer se manter atualizado.

Browser experimental. Não é lá tão eficiente e a navegação é um pouco sofrida, mas quebra o galho.

Como “extra”, temos em versão experimental um browser desenhado especificamente para o Kindle e baseado no WebKit, o mesmo motor do Google Chrome e Safari. Não é exatamente o que poderíamos chamar de confortavel, mas sempre é bom ter um quebra galho caso queiramos ler noticias mais recentes.

A Tela

Disseram que o iPad era mágico? Não devem ter visto essa tela antes de abrir a boca.

     Antes eu conhecia só de ouvir falar, mas agora posso dizer com a boca cheia: A tela do Kindle é fantástica! Não me perguntem exatamente como funciona, pois mesmo com minha intensa pesquisa (vide: Wikipédia) não encontrei explicações satisfatórias sobre como eles conseguem fazer essa magia. A única coisa que eu sei é que a leitura no Kindle é maravilhosamente próxima da feita em papel real. Às vezes chega a ser difícil distinguir se o que você está lendo é digital ou real.

     O tamanho da tela também é ideal. Não é grande demais a ponto de se tornar um trambolho e nem pequeno demais a ponto de atrapalhar a leitura (vale lembrar que é sempre possível reajustar o tamanho das letras caso seja preciso aumenta-las).

Para quem se forçou a acostumar com a leitura no iPad, se sentirá no paraíso ao experimentar essa belezinha.

Considerações Finais

     O Kindle novo é leve, possui uma capacidade de armazenamento de alguns milhares de livros (muito mais do que preciso), possui um software extremamente focado e redondo para a leitura e sua tela é simplesmente impressionante. Na busca pela união das vantagens da leitura em papel com o mundo digital, o Kindle é sem dúvida um fortíssimo jogador.

     O dispositivo em si é muito funcional e cumpre seu papel com louvor. E se isso não fosse o bastante, ainda possui por trás toda a imensidão de livros disponíveis para a venda na (gigantesca) livraria online da Amazon. É verdade que atualmente existem pouquíssimos livros (bons) em português e vendidos na loja. As editoras brasileiras oferecem tanta dificuldade para a publicação de livros digitais quanto as gigantes da música oferecem para a criação de uma iTunes Store no Brasil, por exemplo. Para mim isso não é assim tão ruim pois, como a Amazon suporta a compra de títulos em inglês com cartões de crédito brasileiros posso acabar me forçando a treinar meu inglês. Para quem não tem muita fluência no inglês, ainda assim é possível comprar versões digitais de livros em lojas como a Saraiva e realizar a conversão dos arquivos para formatos compatíveis com o Kindle.

     A Amazon não tem intenções de forçar a adoção de um Kindle para todos que quiserem ler livros adquiridos na loja. Existem aplicativos compatíveis com Windows, Mac OS e Linux, além de Android e iOS. Você pode muito bem começar a ler algo em seu desktop, continuar no celular e depois concluir em seu Kindle com sincronização em tempo real de páginas através do Whispersync.

     É realmente muito complicado dissecar todos os pequenos detalhes que essa nova versão do Kindle trás. São centenas de pequenas coisinhas que, pela simplicidade e ao mesmo tempo grande poder, tornam a vida um pouco mais fácil e confortável. Minha intenção com esse post foi apenas de tentar repassar a grande surpresa que tive quando comecei a usar meu Kindle. Achei que iria gostar, mas não tinha noção de quão útil ele se tornaria na minha vida. Sinto falta de algumas features que já existiam em modelos antigos mas foram podadas do modelo que comprei, como audiobooks e a leitura robotizada do texto. Apesar disso, acredito que o gadget continua sendo fantástico.

     Sem dúvida o Kindle é um gadget excepcional e muito útil para todos os amantes da leitura. Tornou-se item obrigatório quando saio de casa e não posso dizer nada se não recomendar com cinco estrelas a todos aqueles que já possuam um habito de leitura ou até quem sabe desejam desenvolver esse hábito.

     Existem outras opções leitores digitais mais baratos, e inclusive modelos produzidos no Brasil. Infelizmente não pude realizar uma comparação com qualquer um deles, e minha experiência se resumiu a poucos instantes de apreciação em lojas de departamento. Fica a deixa para continuarmos essa discussão com a experiência de quem possui qualquer um desses outros leitores.

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