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Neon Eletro: é golpe ou é promoção de verdade?

Sem Comentarios »Postado por GordoGeek em 17/02/2013 às 17:50h

     No começo do mês eu escrevi um artigo aqui no blog com o título “Fuja de iPhone 5 a R$ 999,00: isso não existe!”, onde eu comentei sobre um problema, mas não dei nome aos bois, até mesmo porque, esse tipo de coisa não acontece apenas com o site A, B ou C. Recebo diariamente dezenas de “ofertas” similares, seja via email, Twitter, TV, etc. e seria impossível falar sobre todos os casos.

     Alguns dias depois escrevi outro artigo de título “Como comprar iPhone 5 a USD 199 na Apple Store” para responder a dúvida de um leitor que estava indo pros Estados Unidos e queria saber como comprar iPhone nesse valor. Em resumo, a pessoa só conseguirá pagar esse valor num iPhone 5 se for residente nos Estados Unidos, tiver Social Security e fizer um plano com fidelidade de 2 anos (24 meses) com uma operadora (AT&T, Verizon ou Sprint), pagando além dos USD 199 do aparelho, uma conta mensal de aproximadamente USD 70. Fora isso, desbloqueado e sem contrato, o produto é vendido por USD 649 (o que dá em torno de R$ 1.300,00 atualmente).

     Boa parte dos artigos que escrevo no blog são para responder a dúvidas muito frequentes que me chegam através de comentários, emails, Twitter, etc. Como já expliquei anteriormente, ao invés de ficar respondendo caso a caso, o que demandaria um tempo enorme (o qual eu não tenho), é muito mais fácil e lógico eu escrever tudo no blog, uma única vez e depois só mandar o link pra pessoa que perguntou. Além de ser útil pra quem estava com a dúvida, ainda fica disponível pra quem der uma pesquisada no Google.

     Quem me acompanha há algum tempo, seja via blog ou redes sociais, já deve ter percebido que, mesmo tomando algumas medidas pra não cair em roubadas, como faço muitas compras, vez ou outra acontece algum problema. É natural e, segundo as estatísticas, quem compra mais, tem mais chances de ter problemas. Porém, diferente da maioria dos brasileiros, eu não me contento a “xingar muito no Twitter” e, além disso, deixo um rastro via Reclame Aqui, Procon, Juizado Especial Civil, etc. Em resumo, vou atrás dos meus direitos, coisa que pouca gente faz e acaba estimulando malandros a aplicarem golpes.

     Falando especificamente desse site Neon Eletro, eu particularmente não o conhecia. Também pudera, ele é relativamente recente e, conforme pude ver no registro.br (tela capturada aqui) há pouco mais de 6 meses, sendo vinculado ao CNPJ 10.310.483/0001-84. Porém, eles estão com uma campanha massiva na mídia e se tornaram muito conhecidos em pouco tempo. Não é raro entrar em grandes portais como o UOL e ver o banner da empresa anunciando iPhone a R$ 999,00. Também é quase impossível ligar a TV no SBT e não ver apresentadores como Raul Gil e Eliana falando da empresa.

     Na página da Receita Federal destinada a consulta de CNPJ, verifiquei o que o documento já citado acima pertence a “NEON DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA”, empresa que, em tese, foi aberta em 12/08/2008 (captura de tela aqui) e fica em Jaú/ SP (Street View aqui). Porém, o que talvez pouca gente saiba, é que algumas pessoas, ao invés de “abrirem um CNPJ do zero”, preferem pegar uma empresa já aberta há algum tempo, mudar o contrato social, sócios, razão social e nome fantasia, para que, quando alguém der uma busca no CNPJ, ao invés de aparecer uma empresa recente (como o domínio criado há apenas 6 meses), aparente que a empresa já tenha um vasto histórico. Vejam bem: não estou dizendo que é o caso da Neon Eletro. Eu fui ao site da Junta Comercial de São Paulo (onde eu poderia ter acesso ao documento), procurei pela razão social e não tive resposta (captura de tela aqui), o que já é meio estranho. Portanto, não posso afirmar que seja o caso dessa empresa específica. Só estou aqui dizendo o que já vi acontecer em outros casos. Talvez a empresa tenha mesmo 5 anos e só resolveu lançar o e-commerce ano passado.

     Apesar de alguns indícios indicarem que algumas pessoas estão sendo lesadas (conforme inúmeras reclamações no Facebook, Reclame Aqui e na internet como um todo), uma vez que é praticamente impossível ofertar um iPhone 5 a R$ 999,00 (sendo que ele custa USD 649), o que me preocupa realmente é que muita gente vê as propagandas em veículos bastante conhecidos (como SBT e UOL), entram no site e saem comprando sem fazer pesquisa alguma, por mais que o preço, muito abaixo do valor de mercado, dê a entender que tem algo errado. Muitos, só depois que compram, vão pesquisar a empresa. Pior, em vários produtos, a empresa deixa claro que a entrega será feita em 60 dias úteis, o que dá quase 3 meses. Porém, muita gente parece não ler o anúncio e, dois dias depois da compra, saem xingando a empresa no Facebook, Reclame Aqui, ameaçando ir ao Procon, Juizado Especial Civil, etc. Ora, a pessoa não leu os termos antes de concordar (e comprar) e agora sai xingando a empresa? Esse tipo de atitude pode até inverter a situação e o consumidor lesado pode virar réu num processo de calúnia, difamação, etc.

     Pelo que vi, consultando o site, alguns produtos não tem preço tão abaixo do mercado e nem um prazo de entrega tão elástico (60 dias úteis). Pelo contrário, alguns tem preço até acima da média e estão a pronta entrega, como vi hoje no SBT, o anúncio do Galaxy X a R$ 1.300,00. Assim, da mesma forma que tem gente reclamando que passaram os 3 meses e não receberam, também tem outras dizendo que compraram e receberam normalmente. Outras ainda, relatam não receberam, mas quando pediram o estorno, o mesmo foi realizado. Supondo que a pessoa não receba, reclame com a empresa, Procon, etc. e não receba o produto ou o dinheiro de volta, como manda a lei, optando por processar a empresa, é bem provável que a mesma vai encher o processo com depoimentos de clientes que compraram e receberam o produto, descaracterizando má fé, estelionato, etc. Ou seja, se a sua ideia é “pagar pra ver”, contando que, caso não receba, vá conseguir processar a empresa e ganhar uma indenização, tire o cavalinho da chuva. Supondo que a empresa esteja aplicando golpes, ninguém aplica um golpe desse tamanho sem arquitetá-lo muito bem antes.

     Minha sugestão a quem não comprou e pensa em comprar: via das dúvidas, não compre. Fuja de possíveis problemas. “Não existe almoço grátis”. Se alguém te oferece algo com um preço muito abaixo do mercado, desconfie. Se vai encarar, faça uma pesquisa ANTES de comprar e não depois. Junte todo o tipo de material possível pra comprovar a oferta e seus termos.

     Se você já comprou, sem notar o prazo de entrega, peça o imediato cancelamento para a empresa. Eu recomendo que isso seja feito via telegrama com cópia e aviso de recebimento. Você consegue fazer isso via internet, pelo site dos Correios e não custa R$ 20,00. Com isso, você terá uma prova reconhecida em juízo que pediu o cancelamento e o estorno do pagamento. Aliás, se está indignado com o suposto golpe, xingando e reclamando a quatro ventos, pare imediatamente. O erro foi totalmente seu! Encare isso e suas consequências. Se você concordou em esperar 60 dias úteis e está reclamando que não recebeu antes disso, não espere que Procon ou Juizado Especial Civil vão tomar algum tipo de atitude, pois isso estava bem claro no anúncio.

     Update 17/02/2013 18:57h => Eu fiz uma pesquisa no SERASA pelo CNPJ da empresa e não existe qualquer pendência. Complementando a informação, consta que a empresa tem capital social de apenas R$ 10.000,00 (extremamente baixo pra uma empresa que anuncia no SBT). O controle societário é desde 2008 do Sr. José Henrique Casale (CPF 15.781.818-79), que detém 95% da empresa. A outra sócia, com 5% do capital, é Sonia Maria Vilar Casale (CPF 15.213.198-12). Ou seja, pelo menos no papel, os sócios da empresa são os mesmos desde 2008 e não existe qualquer evidência de ser um golpe.

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