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Primeiras impressões: D-Link Boxee Box

25 Comentarios »Postado por GordoGeek em 02/05/2012 às 22:47h

     Na semana passada eu comentei por aqui os motivos que me levaram a comprar um D-Link Boxee Box ao invés de um novo Apple TV. Por uma enorme coincidência, no dia seguinte ao post a Apple anunciou a venda do produto no Brasil. Mas será que a caixinha a D-Link foi suficientemente competente para agradar um usuário exigente como eu?

     Devo confessar que as primeiras impressões que tive foram muito boas e ela ganhou muitos pontos. Porém, conforme fui usando o equipamento, foram surgindo alguns pontos negativos que valem ser destacados. Claro que isso é normal, nenhum produto é perfeito. Talvez, depois de muitos anos e várias versões, o produto chega num ponto de refinamento tão grande que fornece uma experiência muito boa ao usuário. Como o Boxee Box está em sua primeira versão, é natural que ainda existam pontos a serem trabalhados pelo fabricante.

     Logo que recebi o produto, comprado por R$ 399,00 no Mercado Livre, tive uma boa surpresa ao ver que o vendedor foi cuidadoso e enviou o produto numa caixa grande, lotada daqueles “chips verdes”, um tipo de espuma muito usado em embalagens. Ao tirá-lo dessa primeira caixa, me deparei com a caixa do produto em si. Ela é relativamente pequena e bem bonita. A abertura se dá de uma forma pouco convencional, diferente do clássico puxar a tampa para cima.

     Outra boa surpresa foi tirar o Boxee Box da caixa e ver que na realidade ele é menor do que aparenta em fotos na internet. Até a caixa dá a entender que ele é maior, mas na verdade boa parte disso é proteção. Se você for comparar com o Apple TV ou o WDTV Live, realmente ele é maior, chegando a ser umas três vezes maior que o WDTV e umas quatro vezes maior que a caixinha da maçã. Chama a atenção também que o corpo do produto não é um quadrado perfeito e parece uma obra de arte. A base é emborrachada e ajuda a fixar o equipamento, evitando que ele fique “dançando” na mesa. Quando desligado, ele é todo preto. Ao ligar, aparece o logo do Boxee na parte frontal. Esse logo dá uma leve esmaecida quando ele hiberna.

     A diferença para o Apple TV não fica apenas no tamanho. Como disse em outro post, o Boxee Box possui uma CPU Intel Atom de 1.2GHz, 1GB de RAM e 1GB de espaço interno, além de contar com saídas HDMI 1.3, RCA, áudio óptico, duas portas USB, leitor SD e porta RJ-45 fast-ethernet (bem que podia ser gigabit, né?) para rede cabeada (também funciona via Wi-Fi 802.11n). Rodando em cima desse hardware está uma versão modificada do Linux, mas o usuário praticamente não nota, já que a interface do Boxee é toda customizada. No passado, existiam versões do Boxee para PC e Mac. Com o lançamento da caixinha (Boxee Box), essas versões foram descontinuadas. Infelizmente, algumas falhas se mantiveram, como uma certa instabilidade. Não é incomum o sistema congelar, obrigando a tirar da tomada, pois ele para de responder por completo, algo bastante incômodo para um mediacenter.

     A interface do Boxee Box tem suporte a vários idiomas, entre eles o português. Porém, existem pequenos erros aqui e acolá, o que demonstra que faltou um certo cuidado por parte da D-Link. Apesar de bonita, a interface poderia ficar um pouco mais prática. Não é incomum ter que dar vários cliques para se fazer alguma coisa. Por exemplo, se você estiver vendo um seriado e quiser trocar a cor da legenda ou aumentar a fonte, terá que voltar vários passos, até a tela inicial, entrar em alguns menus, fazer a alteração e depois fazer todo o caminho reverso pra voltar ao que estava assistindo. Seria muito mais simples colocar um atalho quando se aperta o botão central, entre os direcionais, ainda mais porque já aparece alguns ícones nessa tela durante esse procedimento.

     Outra coisa que faltou um certo cuidado por parte do fabricante foi no controle remoto. A princípio, ele é bacana, pois em um dos lados apresenta uma interface simplificada, com poucos botões e virando, tem-se um teclado completo, o que facilita a entrada de dados em alguns momentos, como na busca de conteúdo no Youtube. Porém, como o controle não tem luz traseira, é praticamente impossível achar alguma coisa a noite, sem o auxílio de luz ambiente. Não sei vocês, mas a maioria esmagadora do meu uso de um media center é a noite e eu não curto ficar com o ambiente claro. Ficar com luz na cara pra ver o controle remoto me parece um contra-senso. Porém, existe um app de controle remoto para iPhone e Android, o que de certa forma preenche a lacuna da falta de luz traseira no controle físico. No entanto, devo salientar que o app é bem fraco e possui alguns bugs. Se você for fazer uma autenticação, que exija login e senha, assim que você terminar de preencher o login e passar pro campo da senha, notará que o teclado some e não tem como fazer ele voltar. O que eu faço é matar o app e ligá-lo novamente. Pra dizer o mínimo: chato demais.

     Para fechar as críticas e finalmente começar a falar dos pontos positivos do Boxee Box, algo que pode ser um impeditivo muito grande é a sua incapacidade em executar o conteúdo de uma conta Netflix. É curioso, já que a D-Link fez vários anúncios batendo nesse ponto ao lançar o aparelho por aqui no ano passado. Porém, assim que a Netflix finalmente fincou os pés e os usuários foram atrás do serviço, descobriram que, por um motivo contratual, não seria possível ter acesso ao conteúdo da Netflix. O mais curioso é que, se você ativar uma VPN, a mesma conta brasileira do Netflix funciona no dispositivo. Porém, com o conteúdo gringo. Não vou me estender mais nesse tema pois fiz um outro post bem detalhado sobre isso.

     Uma coisa que me irrita demais no Apple TV é sua limitação ao exibir conteúdo, seja online ou offline. Claro, faz parte do modelo de negócios da empresa, mas é frustrante. O dispositivo poderia ser muito mais o que é (tae o Jailbreak pra provar), mas é uma caixinha bonita e cheia de limitações. Quando eu comecei a explorar o Boxee Box e vi que tinham 254 canais parceiros, dei uma zuadinha básica no Apple TV. Porém, foi só mexer um pouco mais e vi que isso é meio balela. Existem apenas uns 20 canais realmente interessantes. O resto, são sites pequenos e pouco expressivos. Vejamos por exemplo o canal do Olhar Digital. Ao clicar num vídeo, sabe o que acontece? Ele simplesmente te redireciona pro site do programa. Ridículo! No entanto, existem bons canais de conteúdo, como o TED. Dá gosto de navegar por ele.

     Outro canal que merece destaque é o do SlingPlayer. Pra quem não conhece o serviço, recomendo que dê uma olhadinha nesse outro post. Em resumo, o SlingBox é um equipamento que fica conectado ao decoder da sua TV paga e permite que você acesse a programação remotamente, seja num smartphone, tablet, computador, etc. No iOS e Android o app custa USD 30. No Boxee Box não custa nada. O app é bem feitinho, mas o funcionamento aqui em casa deixou a desejar. Senti um delay muito grande, além de uns travamento. Isso pode ser resultado da minha banda larga horrível (abraço Vivo/ Telefonica), mas como no iPad/ iPhone/ Galaxy rodam relativamente bem, acredito mais que seja culpa do app.

     Algo que muita gente me pergunta é sobre a compatibilidade com tipos de arquivos. Eu rodei os formatos mais populares (avi, mov, mp4, m4v, mpg e mkv) e rodou sem problemas, inclusive conteúdo em fullHD. Quanto ao uso de legendas externas, como já adiantei ali em cima, roda tudo liso e permite a customização de cores e tamanho, além de possibilitar o ajuste manual quando a mesma está sem sincronia. Nesse ponto, é muito superior ao Apple TV. Se você consome mais conteúdo baixado da internet (torrent e afins), esse produto é quase perfeito pra ti.

     Como já disse ali nas especificações, o Boxee Box tem entrada para cartão SD e duas USB, o que permite que se ligue HDs externos, pendrive, etc. Além disso, se o seu conteúdo estiver na rede (como o meu), dá pra acessá-lo via SMB, AFP ou NFS. Aqui cabe uma dica: se você tiver o AirPort Extreme ou o Time Capsule, ao invés de mapear essas unidades como AFP (protocolo nativo da Apple), escolha SMB, pois a cada reboot do equipamento, os dados de autenticação do AFP são perdidos, obrigando-o a colocar novamente login e senha, o que, convenhamos, é chato pra burro. Usando SMB não tem problema algum e funciona bem.

     Uma coisa que faz falta em muitos media centers é um cliente de VPN nativo. Bom, além de ter esse recurso, o Boxee Box ainda trabalha com proxy autenticado. Ou seja, são duas formas pra você driblar os bloqueios internacionais para usuário de fora dos Estados Unidos. A configuração é fácil, mas meio chata. Assim que você termina de entrar com os dados, ele vai pedir pra aplicar. Fazendo isso, 99% das vezes ele trava e só volta se tirar da tomada e colocar novamente. Assim, recomendo que não mande aplicar na hora. Saia do menu, recuse aplicar, vá até o menu e mande desligar por lá.

     Como já disse antes, algumas coisas são meio chatas no Boxee Box. Por exemplo se você quiser desligá-lo, não existe botão físico pra isso. O caminho para tal procedimento é acessar o menu e fazer por lá. Dica: eu medi o consumo do equipamento pelo Kill-a-Watt e aferi 16w de consumo, seja em standby ou na reprodução de algum conteúdo. Se você deixá-lo ligado 24 horas por dia, o gasto na conta vai ser de aproximadamente R$ 10,00. Apenas como referência, o WDTV consome 10w e o Apple TV 5w. Se você quiser economizar uma graninha (bem curta, rs), saiba que o tempo entre ligar o Boxee Box e ele estar completamente disponível é de aproximadamente 1 minuto e 15 segundos.

     Antes de fechar, gostaria de chamar a atenção para uma coisa interessante: a compatibilidade parcial do Boxee Box com o recurso AirPlay. Com isso, você poderá jogar o conteúdo do iPod/ iPad/ iPhone para a sua TV. No entanto, o app em questão precisa ter implementado esse recurso. Diferente do que acontece no Apple TV, não existe o recurso de espalhamento (para iPad 2, iPad 3 e iPhone 4S). No entanto, apps interessantes como o AirVideo funcionam muito bem. Ah, ele também tem compatibilidade DLNA para dispositivos Android.

     E tem o “one more thing” ;) O Boxee Box tem um browser nativo, permitindo navegar por vários sites, além de ver conteúdo em flash e HTML5. Assim, dá pra entrar na Globo.com (apenas um exemplo) e ver praticamente todo conteúdo em vídeo deles, em tela cheia. Pra muita gente, isso é um baita diferencial.

     No final das contas, vale a pena comprar o Boxee Box? Não existe uma resposta simples para essa pergunta. Isso vai variar de acordo com o seu perfil. Eu procurei listar o máximo de pontos negativos e positivos que consegui notar nesses primeiros dias de uso. Acredito que boa parte dos usuários fará mais proveito de um Boxee Box do que de um Apple TV. Porém, se você é um fã da Apple, não se importa em converter todo o conteúdo que baixar e jogar pro iTunes antes, pode ser que a caixinha da maçã seja melhor pro seu uso.

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