Poucos dias após o keynote da Apple, onde foram anunciados os novos MacBooks, os preços dos modelos antigos começaram a ter uma baixa considerável nas lojas. Cheguei a cogitar comprar, até coloquei no carrinho, mas na hora de pagar, decidi fazer só no dia seguinte, após uma boa noite de sono (aliás, recomendo que usem essa estratégia pra evitar compras no impulso). Comentei bastante sobre isso no Twitter, arrastei a decisão por dias e decidi que não iria comprar. Muita gente comprou e eu acredito que realmente foi um bom negócio. Mas por que diabos eu não comprei então?
Como eu já estava inclinado a viajar para Nova Iorque, acabei optando por comprar a versão nova por lá. Eu não acho que as diferenças de especificações sejam lá tão diferentes que compensasse pagar quase 50% a mais no modelo novo, mas pra quem tem a oportunidade de comprar lá fora, ae a coisa muda de figura. E foi o meu caso. Porém, ainda faltava decidir um monte de detalhes sobre o modelo que eu iria realmente comprar.
Atualmente uso como máquina principal um iMac 21.5” de 2011, numa configuração padrão, mas com 16GB de RAM e me atende muito bem. Como a garantia dele venceu mês passado, contratei o Apple Care pra ele e espero que ele dure mais uns 2 anos. Como máquina secundária, uso um MacBook Pro 13” comprado em 2009, que já está sem garantia, mas ainda é um maquina bem razoável, pois sofreu alguns upgrades de RAM e HD nesse período comigo.
Eu já tinha comprado um MacBook Air usado no passado e ficou comigo menos de uma semana. Achei a máquina linda, mas lenta demais. Acabei repassando pelo mesmo preço que paguei. Meu medo era comprar um computador que não me agradasse e tivesse o mesmo destino. Eu já tinha brincado muito rapidamente com alguns MacBooks Air na FNAC, mas o tempo era muito curto pra ter se ter uma impressão definitiva. Porém, como os reviews que eu tinha lido falavam muito bem das máquinas (de 2011 pra cá), dizendo até que tinham performance similar aos MacBook Pro, decidi arriscar. Até mesmo porque, lá fora, você tem o direito de devolver (return) o produto sem muitas perguntas (“I change my mind”).
Uma vez decidido pelo MacBook Air ao invés do Pro, precisava definir que modelo eu pegaria. Como comentei mais acima, tenho um MBP de 13” e quando eu comprei, achei a tela muito pequena, mas fui me adaptando com o passar dos anos. Eu queria muito um Air de 11” pra usar em viagens, mas estava com medo da tela ser desconfortável. Além disso, a versão de 13” tem autonomia prometida de 7 horas, contra 5 da versão de 11”. Eu fui algumas vezes na loja da Apple e ficava alguns minutos mexendo em ambos os modelos, comparando, colocando em perspectiva, testando, etc.
Quando eu finalmente decidi que o modelo de 11” era o mais indicado pra mim, pela portabilidade, faltava decidir qual pegar. Nas lojas, as opções eram reduzidas. Se eu quisesse fazer upgrades, teria que fazer via site e isso poderia demorar vários dias. Como eu já tive casos de amigos que compraram e a entrega atrasou (muito), não queria arriscar. Eu até cogitei já comprar no Brasil e mandar entregar no hotel, pra ter uma margem de segurança maior, mas eu ainda estava na dúvida sobre o modelo que queria. Assim, mesmo que, pelo valor, compensasse eu fazer alguns upgrades, como por 8GB ao invés de 4GB de RAM e trocasse o SSD de 64GB para 256GB, acabei comprando o modelo básico, mesmo muita gente dizendo que fiz cagada e iria me arrepender.
Faz cerca de três semanas que estou usando o MacBook Air e, para o uso que ele foi comprado, está be atendendo muito bem. Tenho apenas uma ressalva: a autonomia de bateria, que era pra ser de 5 horas, não chega a 3 horas. O mesmo ocorria com meu MacBook Pro. A Apple é bem desleal nesses testes (assim como outros fabricantes), pois eles usam nos testes algo bem diferente da vida real, como baixar o brilho da tela a níveis que incomodam bastante. Tirando isso, a máquina me deixou muito satisfeito, mesmo rodando o novo OSX Mountain Lion.
Como eu disse, minha máquina principal de trabalho é um iMac. Lá eu uso várias máquinas virtuais, faço edição de vídeo, fotos, sincronizo meus iTrecos, etc. O MacBook Air foi comprado pra ser usado em viagens e no sofá, basicamente pra eu ter acesso a internet, alguma coisa de Office e dar suporte em viagens. Ele é maravilhoso, super leve e bem rápido. A pouca capacidade de armazenamento de SSD, até o momento, não está um problema. Dos 64GB, estou com 20GB usado. Claro, colocar meus filmes e biblioteca nele, nem pensar. Mas eu já sabia disso antes da compra. Não comprei ele pra essa finalidade. Quando eu quero ver vídeo, faço acessando a minha rede ou então o Netflix. No caso de música, faço pelo Oi Rdio, que tem muita música que eu gosto. Já com relação a memória RAM, com todos os programas que uso abertos (Chrome, Oi Rdio, Tweetbot, Wunderlist, Instadesk e Reeder), me sobra algo em torno de 1GB livre. Isso poderia ser um problema, mas como ele possui um SSD, o gerenciamento de RAM é feito de maneira bem satisfatória, o que não seria o caso se fosse um HDD tradicional.
Um dos maiores medos de quem vai comprar um MacBook Air, ainda mais o modelo mais básico de todos, é com relação a performance. Como já disse, pro meu uso, está me atendendo bem. Outro medo bastante comum é com relação ao tamanho da tela. Não é pequeno demais? Mesmo tendo apenas 11”, a resolução dele é maior do que a do meu antigo MacBook e tem 1366×768 pixels. Novamente, pro meu uso, estou bem satisfeito. É engraçado que quando volto a usar o MacBook 13”, por qualquer motivo, como a tela é maior, mas a resolução é menor (1280), tenho a impressão que a tela é muito maior.
Eu paguei USD 999 do MacBook, mas com impostos (estado de Nova Iorque), ficou quase USD 1,100. Aqui no Brasil, esse modelo custa R$ 3.699,00. Pra se adicionar 4GB de RAM, ficando com 8GB no total, lá fora são USD 100 a mais (R$ 350,00 aqui). Quanto ao SSD, passando de 64GB para 128GB, lá fora são mais USD 100 (R$ 300,00 aqui). Como as peças desses novos MacBook são todas soldadas e é impossível de se fazer o upgrade, se você vai comprar essa máquina pra ficar uns 2 ou 3 anos, compensa investir um pouco mais e já pegar algo um pouco melhor, pra te atender nessa jornada, especialmente se o seu uso da máquina é um pouco mais intenso que o meu. Como eu disse, não estou enfrentando problemas de performance (pelo contrário, essa máquina abre tudo voando), mas a tendência natural é as coisas irem ficando mais lentas, já que os novos softwares vão demandando mais recursos.

