Como muitos devem saber, uma das coisas que ainda não temos na App Store Brasil é a categoria de jogos. Claro, tem um ou outro gato pingado por lá, “disfarçado” na categoria entretenimento. O problema acontece por uma imposição do Ministério da Justiça, que insiste que todo jogo vendido no Brasil seja avaliado e tenha uma sugestão de faixa etária apropriada, não aceitando o que vem da Apple. Sendo assim, algumas pessoas (como eu) acabavam recorrendo a uma conta na App Store Argentina, que aceitava os cartões brasileiros numa boa. Aceitava, no passado, pois recentemente parou de aceitar.
Conforme eu mencionei ontem aqui no blog, estou tentando por um pouco de ordem na bagunça que é gerenciar múltiplas contas na App Store. Toda hora que mando atualizar os aplicativos tenho que ficar dando logout de uma conta e logando em outra. Isso acaba enchendo o saco. Como a conta nacional já tem músicas, filmes e iTunes Match, resolvi centralizar tudo lá.
Hoje eu fui fazer uma alteração cadastral na minha conta argentina e quando mandei salvar, ele ficou com uma pendência, me pedindo pra entrar em contato com o suporte. Agora, sempre que mando atualizar os aplicativos, ele não o faz e vai direto pra tela de cadastro. Vou entrar em contato com o suporte pra saber o que está acontecendo, mas já deixo a dica pra vocês: se a conta argentina está funcionando, não mexa em nada, pois pode dar problema.
Update 05/01/2012 19:12h => Eu tinha uma boa impressão do suporte da iTunes. No final de 2010 eu precisei da ajuda deles com um cartão danificado e como eu narrei aqui, eles foram bem úteis. Ainda essa semana entrei em contato novamente pra reportar o problema do iTunes Match, conformei postei aqui e também me ajudaram. Pra minha surpresa, hoje eles responderam meu chamado de maneira muito estranha, dizendo que entendiam o problema relatado e ficavam felizes em ajudar (dando a esperança que iriam), mas depois disseram que simplesmente não poderiam, sem ao menos dar quaquer sugestão do que eu deveria fazer, conforme vocês podem ver nesse email. Pisaram na bola!
Como programador, eu sei a importância do copyright e como a falta dele pode fechar empresas e impedir pessoas de ganharem a vida com o fruto do seu trabalho. Porém, leis de direito autorais antigas precisam ser imediatamente revistas e atualizadas para as novas realidades. A da Inglaterra por exemplo, que atualmente está sendo reformulada, tem mais de 300 anos. A do Brasil não é tão velha assim, mas também está sendo alterada.
É justamente por viver de direito autoral, vendendo licença de uso dos meus softwares/ projetos, que eu tento me policiar ao máximo para não fazer aos outros o que não quero que façam comigo. Conforme eu já mencionei algumas vezes por aqui, eu pago a minha TV por assinatura (mesmo usando muito pouco), pago pelos serviços de vídeo Hulu Plus e Netflix, pelos de música Grooveshark e Zune Pass, além de comprar muito software pra Mac, Windows e iOS, seja no iPhone ou iPad. Também nunca tive um console de video-game desbloqueado, mas acho que isso está prestes a mudar.
O modelo de negócios da App Store da Apple é muito bem sucessido e alavancou as vendas de seus dispositivos, permitindo que o usuário tenha acesso a uma imensidão de conteúdo de forma rápida, simples e barata. Por outro lado, algumas imposições da Apple, restringindo quais aplicações vão para a loja ou são barradas desagrada a muitos. Além disso, poucas aplicações tem uma opção para teste antes da compra, geralmente com opções mais simples (chamadas na loja de “light”). Alguns argumentam que é possível comprar, usar e se não gostar, basta reclamar que a Apple estorna a compra. Não é bem assim! Eu sei de gente que conseguiu o estorno, mas eu já tentei várias vezes com aplicações totalmente bugadas e cheio de gente reclamando nos reviews e nunca me estornaram nada. Pior, nunca sequer deram satisfação.
O Brasil tem uma das cargas tributárias mais altas do mundo (senão a maior) e em contrapartida o governo nos presta serviços públicos de altíssima qualidade #NOT. Mas como o brasileiro parece que não se importar muito com isso e acha normal pagar por algo e não ver o retorno, o governo vai sempre querendo mais e mais. Não tá na hora de fazer alguma coisa pra tentar mudar isso?
Há um tempo eu comentei aqui no blog que a Apple começou a exibir na sua loja virtual o preço dos impostos embutidos em cada produto. É de assustar! E se fosse só com a Apple, seria o de menos. Pagamos muitos impostos em tudo, em especial, em jogos e eletrônicos, que tem uma classificação insana. Além do Jogo Justo, agora temos outro movimento para tentar arrecadar apoio (e assinaturas) para forçar uma negociação com o governo.
Eu não sou um afixionado por games (ou pelo menos não me considero). Meu último console foi um PS2, comprado há uns 5 anos, no qual eu joguei uns 10 dias e encostei. Antes dele, eu tinha um Mega-drive e antes, um Atari. Por esse “histórico”, muitos irão concordar em não me classificar como um amante de games, né?
Agora, fazendo o papel de advogado de diabo, devo dizer que desde que a Apple lançou a App Store, eu compro cerca de 10 apps por semana e testo uns outros 20 gratuítos (light ou similares). Cerca de 75% desses aplicativos, são jogos. E agora? Ainda continuo como uma pessoa que não curte games?
Já mencionei aqui que não curto pirataria. Faço de tudo pra não caminhar pelo “lado negro da força”, apesar de algumas indústrias às vezes fazerem de um tudo pra gente ir por esse caminho. Com a App Store, eu não me incomodo de comprar jogos por USD 0.99 (até USD 9.99 quando é uma “puta” jogo), jogar algumas horinhas e esquecê-los. E não venha me dizer que são jogos podres. Podem até ser jogos sem gráficos igual do XBox/ PS3, mas o que conta, afinal, são os gráficos ou são a diversão que eles nos proporcionam? Claro que, quanto mais realistas (ou simplesmente bem feitos), melhor, mas existem jogos belíssimos que tem um jogabilidade horrível, além de serem extremamente chatos e cansativos. Recentemente, um garoto de menos de 15 anos fez fama ao fazer um jogo simplérrimo que figurou nos Top 5 da App Store americana.