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A Apple pisou no freio

10 Comentarios »Postado por GordoGeek em 12/06/2012 às 19:01h

     Ontem durante o evento de abertura da WWDC’12 a Apple finalmente mostrou alguns detalhes do seus novos sistemas operacionais: OSX Mountain Lion e iOS 6. Apesar de ser rotulado por muitos como fanboy, confesso que não fiquei nada empolgado com o que nos foi apresentado. Claro, ainda são prévias, ou seja, eles ainda tem algum tempo para melhorar em alguns pontos, mas acredito que o grosso já esteja ae pra quem for desenvolvedor (ou não, rs).

     Não vou me estender muito ao falar do que vi no Mountain Lion porque eu estou satisfeito com o OS X atual. O que me preocupa é cada vez mais o sistema de desktop tentar se fundir com o sistema operacional móvel. Se por um lado, os usuários mais leigos podem gostar disso, eu que sou um pouco mais experiente acho bem ruim. Afinal, qual foi a grande jogada que permitiu ao iPad sair na frente na concorrência? Ele não rodava uma versão do OS X para tablet e sim uma versão do iOS. A Apple ficar forçando os dois sistemas na mesma direção não me agrada em nada.

     A cada keynote da Apple eu saio menos entusiasmado. Nada de grandes novidades são apresentadas. A empresa parece focada em fazer pequenas evoluções e tudo bem, afinal, ela está com o cofre cheio de bilhões e a cada trimestre isso aumenta como uma bola de neve. A concorrência não chega a ser um problema e ela está pra lá de confortável. Mas eu fico muito incomodado em ter que usar um sistema operacional com o mesmo visual básico de 2007.

     Como alguns devem saber, eu uso iPhone e Android, geralmente produtos da Samsung, como o Galaxy Note e o Galaxy Nexus. No ambiente do Google, eu consigo fazer inúmeras customizações, que vão desde frescuras (como temas, ícones, animações, papéis de parede, etc.) até coisas mais funcionais (como comportamento dos apps, escolhe de layout de teclado, widgets, etc.). Parece piada, mas demorou três anos pra Apple lançar um aplicativo nativo de relógio pro iPad e pasmem, ainda não lançaram uma calculadora. Obviamente que ela tem coisas mais importantes pra fazer, mas quantas horas de programação seriam gastas pra um funcionário desenvolver tal app? Certamente muito menos do que o efeito de atualizar que ela colocou ao puxar a barra do email para baixo.

     Durante a cobertura de ontem via Twitter eu brinquei que esse sistema operacional deveria ser chamado de 5.2 e não de 6. O que a Apple apresentou é muito pouco para justificar um novo versionamento. Aliás, o que foi? Siri pra iPad, controle de acesso a dados do usuário (fotos, contatos, localização, etc.), controle de não perturbe, integração com a redinha social do Zuck, melhora no Photostream, alguns apps soltos e um novo aplicativo de mapas, que aliás, precisa ser muito trabalhado, pois boa parte das cidades brasileiras ficou de fora (talvez isso mude até a versão final).

     Além de uma tapa no visual de um sistema de praticamente 5 anos, eu gostaria de ter uma multitarefa melhorada (como no Android), um controle nativo de consumo de 3G (de novo, como no Android), atalhos para ativar/ desativar recursos como Wi-Fi e Bluetooth (again…), widgets (and again…), além de dezenas de pequenas coisas que são disponíveis via jailbreak e parece que a Apple não implementa apenas por birra. Por que convenhamos, a empresa mais valiosa do mundo dizer que não ter recursos para contratar profissionais que possam torná-los realidade não cola como desculpa.

     Em resumo: assim como vem acontecendo com o hardware, que basta jogar um S ou um New na frente do nome, a Apple parou de inovar. Os passos dela são curtos e lentos. Se na década passada a empresa revolucionou trazendo os iMacs coloridos, o iPod, a iTunes Store, o iPhone e o iPad, essa me parece a “década perdida” da Maçã. Infelizmente isso não se reflete nos lucros, que no final das contas, é o que importa pra qualquer empresa mudar de atitude. E assim, pelo visto veremos mais alguns anos a Apple pisando no freio e não no acelerador.

     E para aqueles que dizem “pô, esse GG é muito mala, o que ele quer?”. Realmente, eu não sei o que eu quero. E como diria Steve Jobs: “o consumidor não sabe o que quer até a gente mostrar pra ele”. Me surpreenda!

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